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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sua atitude determina sua altitude

[ Mudança ]
Sua atitude determina sua altitude

Evaldo Costa
Escritor, Consultor, Conferencista e Professor.

Você costuma pensar nas coisas que você tem feito na vida e pela vida? Costuma parar para saber se o caminho que você está trilhando é o que gostaria de seguir? Está habituado a se perguntar se a sua atitude de hoje está te levando para mais próximo do ponto de chegada? Percebo, ao longo de minha vida, o quanto é surpreendente e fácil ser pego pela ilusão das nossas atividades, da nossa pressa, da correria do cotidiano, das tarefas inadiáveis, intolerância, arrogância, prepotência, exigência, impaciência, trabalho árduo de cada dia para subir a escada do ter mais sucesso, dinheiro, patrimônio, riqueza, e por aí vai.

Não vejo nada de errado nisso, desde que, é claro, você aja com consciência, competência, benevolência, sabedoria etc. O que assusta é descobrirmos que passamos boa parte de nossas vidas nos preocupando com o ter, sem dar a devida importância ao ser. Recentemente, ao terminar um seminário, fui procurado por um jovem de uns trinta anos. Em poucos minutos ele me contou sobre a sua trajetória profissional. Ele me disse que antes dos vinte anos de idade abriu uma empresa e que de lá para cá ela não parou de crescer.

O jovem me relatou que quando tiver concluído a obra de uma filial as coisas ficarão melhores ainda. Disse-me também que se tivesse um sócio ou um executivo bem preparado para ajudá-lo, estaria lucrando mais. E, finalmente, ressaltou que se tivesse mais dinheiro o seu negócio certamente seria mais próspero. Fiquei pensando nas várias investidas que aquele rapaz empreendedor me contou. Pude perceber que quase tudo que ele me disse referia-se a ter e muito pouco a ser. A partir daí, comecei a ficar mais atento com as pessoas que conversam comigo sobre vida, negócios, família, lazer etc.

A conclusão que chego é que as pessoas passam boa parte da vida em busca do ter, algo do tipo:
- se eu tivesse mais tempo...;
- se eu tivesse mais dinheiro...;
- se eu tivesse um carro...;
- se eu tivesse uma casa nova...;
- se eu tivesse um verdadeiro amigo...;
- se eu tivesse uma formação melhor...;
- se eu tivesse um chefe mais companheiro...;
- se eu tivesse uma nova oportunidade...;
- se eu tivesse como tirar férias... etc.

É impressionante como esquecemos da importância do ser para ter o que queremos. Imagine se ao invés de ficar lamentando a falta do ter, a pessoa adotasse uma postura pró-ativa em prol do ser. Daí, tomando por base os exemplos acima evidenciados, ela poderia mudar a estrutura de seu pensamento, passando a refletir de acordo com as novas formulações a seguir:
* se eu for mais organizado com relação ao tempo que disponho...;
* se eu for mais estudioso, poderei no futuro conseguir uma colocação melhor;
* se eu for morar mais próximo do meu trabalho, talvez não precise de carro;
* se eu for mais cuidadoso com meus gastos pessoais, talvez consiga trocar a minha casa atual por uma nova;
* se eu for mais atencioso com as minhas amizades...;
* se eu for mais dedicado e disciplinado nos estudos...;
* se eu for mais compreensivo, tolerante e pró-ativo, talvez possa melhorar o relacionamento com o meu chefe;
* se eu for mais persistente, atencioso e participativo, talvez surja uma nova oportunidade;
* se eu for menos centralizador e confiar mais nas pessoas, talvez seja possível tirar uns dias de férias com a família.

Tenho testemunhado muitos exemplos de pessoas que passaram boa parte da vida buscando o ter sem se darem conta de que, muitas vezes, o ser é o caminho mais curto e seguro para se ter o que deseja. Sair por aí como um trator de esteira abrindo caminho na marra, sem planejamento, cuidados adequados, respeito ao próximo, causando mágoas e ressentimentos, pode ser igual ao carpinteiro que, sobrecarregado com seus apetrechos de trabalho, sua a camisa para alcançar o último degrau de uma enorme escada só para constatar que a apoiou na parede errada.

Será que não seríamos pessoas melhores e mais felizes se nos preocupássemos mais com o ser do que com o ter? Pense nisso! Um ótimo dia e até a próxima.


Publicado em 05/05/2008 no www.RH.com.br.


Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br.
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Somos Maus Amantes

Somos Maus Amantes
*por Tom Coelho

“Começamos juntos, terminamos juntos.”
(Dom Paulo Evaristo Arns)

Primeiro, é a agradável surpresa pelo convite a participar do chamado processo seletivo. Cuidadosamente você se prepara para a entrevista inaugural. Busca informações sobre a empresa – sua história, valores, produtos e serviços comercializados – e sobre seu mercado de atuação – a conjuntura atual, os cenários, as ações da concorrência.

No dia da conferência você coloca sua melhor roupa e procura chegar antes do horário agendado. No local marcado, outras pessoas, também vestindo seus melhores trajes e talvez igualmente preparadas, aguardam com similar ansiedade.

É possível que uma atividade denominada “dinâmica de grupo” seja imposta a você e aos demais postulantes ao cargo, divididos entre os descontraídos, os nervosos e os armados com respostas prontas e pasteurizadas. Uma ou mais entrevistas individuais posteriores elevam o nível de tensão. Nelas você é sabatinado e também testemunha grandes planos para o desenvolvimento da corporação – e de sua carreira.

Eis que após trilhar este percurso você recebe um telegrama, num final de tarde de uma sexta-feira, comunicando-lhe de sua admissão naquela companhia. Quanta alegria!

O final de semana é eletrizante e dormir no domingo à noite é missão quase impossível. O sol precisa raiar.

Seu primeiro dia é movimentado. Você recebe senha e crachá, conhece seu local de trabalho e as instalações da empresa, é apresentado a umas poucas pessoas. E termina o expediente ainda muito entusiasmado, mas com a impressão de que sobrou objetividade e faltou atenção, receptividade, hospitalidade.

Os meses se sucedem e em seu decorrer as novidades se convertem em rotina; as expectativas, em frustração; a dedicação em desânimo. Você passa a questionar onde está a empresa que lhe contratou e o que se perdeu pelo caminho. Os dias tornam-se longos, o horário de partir custa a chegar.

Analogamente, a companhia passa a indagar sobre seu comportamento, suas ações e, em especial, os resultados decorrentes de seu trabalho. E nos bastidores você pode ser tido como negligente, omisso, desinteressado.

As empresas investem recursos e tempo de pessoas altamente qualificadas para selecionar um profissional, mas não promovem sua integração efetiva ao grupo. Carecem de pós-venda, dificuldade que talvez se manifeste na prestação de seus próprios serviços.

Já os profissionais se deixam abater pelos eventos e transferem às corporações a culpabilidade pela sua perda de motivação, esquecendo-se de que esta é um processo endógeno, sendo uma responsabilidade pessoal a perda do incentivo de outrora, do brilho no olhar e da razão de ali ser e estar.

A verdade é que somos maus amantes. Trabalhamos muito, chegamos mesmo a lutar para auferir determinadas conquistas, mas somos incompetentes para mantê-las e desenvolvê-las. Perdemos a capacidade de nos apaixonar pelas coisas que fazemos – e pelas pessoas que conhecemos. Entregamo-nos aos hábitos, regras, normas e convenções. E assim permitimos que os relacionamentos despeçam-se da emoção, as refeições declinem do aroma e do sabor, a vida se viva sem cor.


* Tom Coelho, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br.

ENDOMARKETING: APROXIMANDO EMPRESAS E COLABORADORES

ENDOMARKETING: APROXIMANDO EMPRESAS E COLABORADORES
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Naísa Modesto

Grandes somas são investidas em publicidade, treinamento de funcionários, tecnologia e, ainda assim, os resultados não são alcançados. Mas por quê?

Apesar de a valorização do fator humano constar no discurso da maior parte das empresas, nem sempre é isso que acontece na prática. Desenvolver ações que mantenham o colaborador informado e alinhado às práticas da organização não contribui apenas para os índices de produtividade, mas também para a manutenção de um clima positivo e de confiança no ambiente de trabalho. Tudo isso pode ser alcançado com um plano eficiente de Endomarketing.

Flávio Tófani, consultor nas áreas de Comunicação, simplifica a idéia: "Endomarketing vai além da Comunicação Interna. É a possibilidade de promover a gestão da empresa com foco nas pessoas, buscando criar um melhor ambiente de trabalho, através de diversas frentes, como a difusão planejada e eficaz da informação, a valorização do indivíduo, o investimento no profissional, entre outras práticas."

Com um ambiente propício e o fortalecimento da parceria entre empresa e funcionário, acontece o desenvolvimento mútuo: da empresa, como instituição, e da pessoa, como indivíduo e profissional.

Segundo Tófani, as ações do gênero devem ser planejadas com antecedência e trabalhadas como composto Endomarketing-mix, constituído por: produto (empresa), preço (investimentos no funcionário), praça (líderes) e promoção (Comunicação Interna). Para tanto, é essencial conhecer a fundo o cliente interno, adaptar as práticas às necessidades de cada departamento, ouvir o que o colaborador tem a dizer e promover avaliações contínuas – tanto do profissional quanto dos métodos.

Luís Carlos Silva, coordenador do site Endomarketing.com, resume o objetivo das ações: "Envolver os empregados e engajá-los nas ações empreendidas no âmbito interno, principalmente as que visam implementar ou ampliar novos produtos ou serviços."

A principal ferramenta deste processo acaba sendo a Comunicação Interna, até mesmo pela visibilidade que tem dentro da empresa, mas ela não é a única. "Nada supera o discurso da cúpula na formatação dos argumentos de venda das idéias e objetivos aos empregados. Essa, eu diria, é a ferramenta-matriz do Endomarketing", diz Silva.


O BÊ A BÁ DO ENDOMARKETING

Alexandre Carvalho, consultor de Comunicação e Marketing, dá dicas sobre como desenvolver as ações dentro da sua organização.

Carvalho ressalta que é importante levar em conta as exigências dos funcionários na hora da implantação do plano: "Faça uma pesquisa que aponte o que o funcionário gostaria que a empresa fizesse para ele. Fazendo isso ou conversando com cada funcionário, você terá informações sobre excelentes atividades que você pode desenvolver. Acredite: muitas vezes, as ações que eles querem são simples. Saiba ouvir para ter um grande retorno."


NÃO CAIA NESSA!

Promover a Comunicação Interna como grande heroína do Endomarketing não é a saída. As ações desta área estão ligadas a uma série de atividades, que podem surtir efeito em curto, médio ou longo prazo.

Feita a previsão desse período de conquista dos objetivos, é preciso medir o resultado e o alcance das ações, fazendo a relação entre as duas coisas."Assim como no Marketing, o Endomarketing deve ter um link claro e direto com resultados. Isso é básico para se construir uma estratégia vitoriosa", diz Silva.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Leitura: hábito que leva ao desenvolvimento

[ Desenvolvimento ]
Leitura: hábito que leva ao desenvolvimento

Patrícia Bispo
Jornalista responsável pelo conteúdo da comunidade virtual RH.com.br.

Patrocinado por AncoraRh Informática (www.ancorarh.com.br)

A busca pela disseminação do conhecimento não é apenas mais um assunto na lista de discussão de uma reunião corporativa, mas sim uma questão que precisa ser levada a sério e colocada em prática. Afinal, o fluxo de informações vence fronteiras e chega às organizações, de forma incontestável, em uma velocidade cada vez maior. Resultado: as empresas necessitam contar com profissionais qualificados para enfrentar as exigências de uma competitividade acirrada.

Diante dessa realidade, cada empresa busca desenvolver mecanismos próprios que estimulem o desenvolvimento dos funcionários. Muitas vezes, a solução está em alternativas simples, contudo criativas. Um desses exemplos acontece com a Drogaria São Paulo, que através do estímulo à leitura conseguiu despertar entre os funcionários a capacidade de ver o mundo sob prismas bem mais amplos do que eles poderiam imaginar.

A idéia de instigar a prática de leitura entre os profissionais que atuam na organização surgiu no início da década de 90, graças à iniciativa de um supervisor dos depósitos da empresa que buscou inspiração na biblioteca da faculdade onde estudava. Observando o valor que a leitura agregava à vida das pessoas, ele apresentou a proposta ao presidente da companhia e logo recebeu o apoio inicial para comprar 80 livros para implantar a biblioteca que recebeu o nome Thomaz de Carvalho – homenagem prestada ao fundador da empresa.

O primeiro passo tinha sido dado: os títulos haviam sido adquiridos e, no início, a maioria dos livros tinha cunho didático, especificamente sobre administração de empresas. O acervo da biblioteca cresceu devido às adesões dos funcionários, que para se associarem à biblioteca eram convidados a fazer uma adoção. Para se ter uma idéia de como o hábito da leitura tornou-se uma rotina junto aos colaboradores da empresa, hoje existem bibliotecas em cada unidade da Drogaria São Paulo nas mais de 200 lojas da rede – distribuídas em mais de 40 municípios nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Ceará. Em números, isso significa mais de 60 mil livros disponíveis nas bibliotecas regionais.

Com o passar do tempo, estimular os funcionários a freqüentarem o ambiente literário não era o suficiente para a empresa. Era preciso ir um pouco além e levar os livros até os colaboradores. Foi quando em 2001 surgiu uma nova proposta: criar uma biblioteca itinerante, aonde os livros “caminhariam” até chegar às pessoas. De acordo com Tereza Amorim, gerente de RH da Drogaria São Paulo, a princípio, a Biblioteca Itinerante começou com 1.850 livros que foram doados pelo presidente da empresa, mas hoje o acervo chega a três mil títulos.

Atualmente, cada loja possui uma média de 17 livros que funcionam no sistema itinerante. “As unidades recebem uma relação dos livros em PDF e disponibilizam a relação para todos da equipe. O funcionário pode solicitar um livro que está em outra unidade. O funcionário interessado pelo livro realiza a solicitação, o responsável pela biblioteca faz as anotações do nome do profissional e da loja que está sendo encaminhado o título. O funcionário terá o prazo de 15 dias para concluir leitura e devolver o livro, podendo prorrogar o prazo por mais 15 dias”, explica Tereza Amorim, ao acrescentar que além de contribuir para formação dos colaboradores a leitura é uma alternativa de lazer.

Os títulos – Uma da maneiras encontradas pela Drogaria São Paulo para estimular os funcionários a lerem foi permitir que eles sugerissem a compra de exemplares. Hoje, o acervo é bastante variado e conta com best-sellers do mundo corporativo como: “O Monge e o Executivo”, de James C. Hunter, “Pai Rico Pai Pobre” de Robert T. Kiyosaki & Sharon L. Lechter e “Os 7 Hábitos da Pessoas Altamente Eficazes” de Stephen R. Covey. Mas para quem é adepto de uma literatura diversificada também estão disponíveis obras como “Os Irmãos Karamazov“ de Feódor Dostoievski, “O Xangô de Baker Street” de Jô Soares, bem como livros didáticos de administração e gerenciamento.

Quando questionada sobre a receptividade dos funcionários em relação à leitura, a gerente de RH mostra-se animada, pois os colaboradores doam livros, apresentam sugestões e a quantidade de adesões tem aumentado. “O investimento na cultura traz mais respeito e credibilidade à organização. Para os nossos funcionários a possibilidade de ter diversos títulos à disposição, permite que eles estudem e façam pesquisas para suas atividades escolares nas horas vagas. O maior benefício conquistado por eles, é o conhecimento adquirido através da leitura”, conclui, ao lembrar que só esse ano a empresa já investiu cerca de 15 mil reais para a compra de novos títulos.

Publicado em 22/04/2008 no www.RH.com.br.

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terça-feira, 15 de abril de 2008

Planejamento Estratégico Pessoal

Planejamento Estratégico Pessoal
*por Tom Coelho

Estamos acostumados a falar sobre planejamento estratégico no âmbito das corporações. Empresas, instituições e governos preparam, normalmente no quarto trimestre, novos planos e a revisão de planos existentes para o ano seguinte, bem como para períodos mais longos.

Mas a proposta deste ensaio é conduzir você na execução de um planejamento estratégico diferente e especial: o plano de sua vida. E, para fazê-lo, iremos nos basear em uma metodologia inovadora.

Parte A – O Tripé do Planejamento Estratégico Pessoal

Planejamento estratégico pessoal é o processo de construir o seu futuro. E tal como nas corporações, a primeira etapa consiste na definição de três aspectos essenciais: missão, valores e visão.

1. Missão

A missão é a sua razão de existir. Entendê-la habita antigas questões filosóficas como: “De onde viemos?” e “Para onde vamos?”.

Descobrir sua missão é fruto das perguntas que você se fizer. Algumas sugestões:

a) O que está incompleto em sua vida?
Procure entender o que falta para sentir-se realizado em termos profissionais e pessoais.

b) O que gostaria de aprender?
A resposta indicará suas paixões e poderá revelar talentos latentes que tenha negligenciado no decorrer dos anos, seja pela rotina imposta pelo cotidiano, seja pelo medo auto-imposto.

c) O que faria se ganhasse um grande prêmio numa loteria?
O propósito é observar se há planos que você tem adiado indefinidamente sob a alegação de falta de recursos. É possível que sua missão esteja mergulhada neste pântano sombrio desenhado em sua mente e que a realização deste sonho seja exeqüível mesmo diante da ausência de dinheiro.

d) O que faria se tivesse somente seis meses de vida?
É uma questão lúgubre, sei disso. Mas ela se faz necessária para que você avalie suas reais prioridades e reflita sobre como tem gerenciado seu recurso mais significativo e perene: seu tempo.

e) Imagine-se em seu enterro...
A exemplo da pergunta anterior, este é um exercício revelador. A proposta é que você se imagine nesta situação e procure identificar três pessoas de seu relacionamento: um familiar, um amigo e um colega de trabalho. Ouça o que estão dizendo sobre você e quais os sentimentos que delas afloram. Talvez perceba como as tem tratado e quanto de amizade, carinho e amor tem oferecido àqueles que lhe são importantes.

Após todos estes questionamentos, analise suas respostas. Elas indicarão seu legado, ou seja, a contribuição que deixará para o mundo e através da qual poderá eternizar seu nome e seus feitos.

2. Valores

Os valores são os princípios que guiam as decisões e balizam o comportamento no cumprimento da missão.

Desde muito cedo, por influência de nossos pais e familiares, estabelecemos um conjunto de valores. Mas as pessoas, o ambiente, as crenças e as circunstâncias agem no sentido de modificá-los. Um bom exemplo desta mutabilidade dos valores é o estatuto da pena de morte. Você pode ser absolutamente contrário à aplicação da sentença capital. Porém, se um ente querido for vitimado por um ato de violência extrema, é possível que você passe a tolerá-la em condições excepcionais.

Para encontrar seus valores:

a) Identifique os princípios que governam sua vida.
É uma tarefa demorada e que ordena alta concentração e reflexão. Verifique os valores mais recorrentes em seus pensamentos e ações. Podem ser a integridade e a justiça, indicando um perfil voltado à conduta social; ou a humildade e a generosidade, sinalizando para foco em serviços ao próximo; ou a autonomia e a autoconfiança, apontando para o egocentrismo. Pode ser um conjunto de todos eles. Não importa. O fundamental é que os aspectos selecionados representem o que você de fato é, e não o que gostaria que as pessoas pensassem a seu respeito. Assim, escolha valores inerentes ao seu caráter e não à sua reputação.

b) Coloque-os em ordem de prioridade.
Após selecionar entre cinco e sete valores, procure ordená-los de acordo com o grau de importância relativa. É um momento decisivo, pois exigirá que você faça escolhas. Neste momento ficará evidenciado se os valores preponderantes são materiais ou emocionais, individuais ou coletivos.

c) Escreva um parágrafo para cada um dos valores escolhidos.
É o momento de unir razão e emoção, cabeça e coração. Coloque no papel o porquê de suas escolhas, leia com atenção e reflita.

Ao final você terá escrito o que denomino “Constituição Pessoal”. É sua carta de valores, pessoal e intransferível. Carregue consigo esta pequena lista, leia-a regularmente e tome suas decisões com base nela. Uma atitude em desacordo com seus valores deverá causar desconforto, incômodo até, ensejando uma mudança atitudinal ou uma revisão dos valores selecionados.

3. Visão

A visão é a explicitação do que você espera e acredita para o seu futuro. É uma imagem mental poderosa que tem a propriedade de materializar sonhos.

Para construir uma visão de futuro:

a) Imagine-se daqui a alguns anos.
Onde você estará em um, cinco, dez e 25 anos? O que estará fazendo? Quais terão sido suas realizações? Quem terá conhecido? O que terá aprendido?

b) Adote um “diário do futuro”.
Há quem ainda escreva diários, um registro pessoal e muitas vezes secreto de comportamentos, pensamentos e ações. Modernamente os diários ganharam o mundo virtual através dos blogs. Em qualquer dos casos, faça seus relatos não sobre o passado, mas sobre o futuro que imaginou conforme sugestão anterior. Seja detalhista, entusiasmado e profético ao discorrer suas palavras.

c) Projete o filme da sua vida.
Reúna suas experiências passadas e sua visão de futuro, ambas ilustradas pelos seus diários do passado e do futuro, para imaginar o filme de sua vida, uma película extraordinária onde você figura como diretor e protagonista de sua própria história.

Ao vislumbrar seu futuro, lembre-se de desenhá-lo com cores alegres, vibrantes e positivas. O que hoje se conceitua como “leis da atração” nada mais é do que uma imagem mental positiva amparada por ação concreta em direção da realização e da conquista do sucesso.

Parte B – A Caixa de Ferramentas

Os convencionais 4Ps, apresentados por Jerome McCarthy em sua obra Basic Marketing, de 1960, como únicas variáveis relevantes do chamado composto mercadológico, receberam uma abordagem inovadora. Mais de quarenta anos de estudo e trabalho permitiram a Francisco Alberto Madia de Souza, presidente da Madia Mundo Marketing, desenvolver uma matriz fantástica formada por 12Ps, conforme apresentaremos adiante.

1. PEST

Agora que já descobriu sua missão de vida, selecionou os valores que irão balizar seus comportamentos e ações e determinou onde pretende estar a partir de sua visão do futuro, deverá fazer uma análise atenta do ambiente externo, ou seja, o ambiente Político, Econômico, Social e Tecnológico no qual está inserido.

O ambiente político ganhou notoriedade ainda maior dentro da atual conjuntura do país devido aos desmandos envolvendo governantes de todas as esferas do poder, colocando a ética no centro das atenções. Assim, a conduta moral ilibada passou a ser, além de louvável, pré-requisito para viver em sociedade e edificar a imagem pessoal.

O ambiente econômico pode ser resumido na força de uma palavra: globalização. Muros e cortinas ruíram, decretando o fim das fronteiras físicas. Telefones e computadores encurtaram distâncias. Caminhamos para idiomas e moedas universais, promovendo uma aproximação cultural sem precedentes.

O ambiente social, como que por decorrência dos anteriores, acionou o alerta da responsabilidade socioambiental. As desigualdades entre os povos precisam ser dirimidas. O crescimento não pode ser de poucos e o desenvolvimento precisa ser sustentável para não comprometer as gerações futuras.

O ambiente tecnológico legou-nos a inovação e com ela a certeza de que sempre será possível fazer melhor, mais rápido e mais barato. É um retorno a cinco séculos antes de Cristo e a dialética de Heráclito de Éfeso que dizia: “Tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo”.

Do ambiente externo aprendemos que devemos estar em constante busca pelo conhecimento e pela inovação, agindo num mundo globalizado com ética e foco na sustentabilidade.

2. Phocus

Compreendido o ambiente externo, estabeleça seu foco de atuação. Pode parecer elementar, mas muitos se equivocam neste instante, comprometendo o resultado de todo o planejamento. E erram ou por constituir muitos focos ou por eleger como primordial o objetivo inadequado.

Várias flechas não garantem o acerto do alvo, e vários alvos confundem o arqueiro. Por isso, a definição deve ser clara, analítica e específica. Procure fundamentá-la em sua missão, orientá-la pelos seus valores e traçá-la em direção à sua visão.

Resista à tentação de definir seu foco por interferência de terceiros. Isso acontece, por exemplo, com jovens em estágio pré-vestibular, por ocasião da escolha do curso superior, quando optam pela mesma carreira dos pais ou seguem à risca a sugestão de amigos ou familiares.

É também comum a definição do foco por influências de cunho conjuntural, como moda ou expectativa momentânea de ganhos financeiros elevados. Assim pode-se notar com profissionais que escolheram carreiras a partir da análise de pesquisas salariais, negligenciando seus anseios de realização e talentos pessoais. Invariavelmente a desilusão os visita com brevidade, trazendo-lhes o desafio do recomeço ou o equívoco de persistir no erro.

3. Positioning

O posicionamento consiste no planejamento e organização de sua identidade pessoal. Representa todos os sinais e códigos de comunicação transmitidos por seu estilo e personalidade.

O objetivo é delimitar, baseado no seu phocus, as características mais singulares que nortearão a construção de sua imagem com intuito de conquistar o respeito, a admiração e a confiança das pessoas.

4. Product

Observado como se fora um produto, é o momento de trabalhar seu marketing pessoal, projetando uma imagem de marca em relação a si a partir de dois níveis essenciais: a embalagem e o conteúdo.

O aspecto externo é o princípio de tudo, pois você não terá uma segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão. Portanto, cuide de sua aparência, trajando-se com propriedade, evitando o uso excessivo de acessórios e cosméticos, aprendendo regras de etiqueta e melhorando seu vocabulário, tanto falado quanto escrito.

Mas embora o design seja determinante, se o que estiver por dentro não lastrear a expectativa criada, você seguramente deixará de se estabelecer. Por isso, atente para sua formação acadêmica. Estude com regularidade e aprenda outros idiomas. Seja uma pessoa autêntica, transparente e íntegra. É o melhor caminho para conquistar a confiança e simpatia das pessoas.

5. Promotion

Não adianta fazer a melhor coisa do mundo ou ter atributos invejáveis se ninguém tomar conhecimento. É preciso comunicar e repercutir. Esta ferramenta poderia ser traduzida literalmente por promoção, mas envolve mais do que isso: é o campo da propaganda e da comunicação.

Por isso, tenha sempre seu cartão de visitas à mão, mesmo que esteja desempregado. Crie um blog ou website pessoal e participe de comunidades na internet. Depois crie suas próprias comunidades.

Se gostar de escrever, publique artigos. E depois um livro. Se não gostar de escrever, comece a ler mais e aprenda a escrever.

Além disso, participe de eventos para ver e ser visto. E todo tipo de evento. Shows, seminários, feiras, reuniões de condomínio. Procure freqüentar ambientes variados para ter acesso a pessoas diferentes, com formação, cultura e idéias diversas.

Faça um curso de expressão verbal e aprenda a arte da retórica. A habilidade de falar em público abre portas e eleva a auto-estima e a autoconfiança.

O resultado final deste processo de comunicação é uma ampla rede de relacionamento, o tão comentado networking. Procure criá-la e expandi-la em sintonia com o seu phocus.

6. Place

Falamos aqui de distribuição. Utilizando as técnicas de comunicação sugeridas no tópico anterior, suas idéias e ideais poderão ser conhecidos por todos que se sentirem seduzidos a visitar seu sítio na internet.

A reunião de opiniões qualificadas e networking extenso pode proporcionar grande alcance e destaque para seus conceitos e sua imagem. Mas lembre-se de guardar fidelidade e alinhamento à sua missão. Com base nela, seu place, ou seu mundo, poderá acertadamente se restringir não aos cinco continentes, mas apenas à sua comunidade.

7. Price

O preço é absoluto, mas o valor é sempre relativo.

O preço é um atributo típico dos produtos. E estes têm sido comoditizados ao longo do tempo. Olhe ao seu redor e analise produtos similares de diferentes marcas das mais variadas empresas.

Analogamente, todos nós, tomados como produtos no mercado de trabalho, também nos assemelhamos. Nossas competências técnicas são muito próximas, posto que ensinadas nas mesmas escolas, com metodologias parecidas e mesmos livros didáticos. O que outrora fora um diferencial, como o domínio de um segundo idioma ou um título de pós-graduação, hoje representa apenas igualdade de condições junto aos demais profissionais.

Como se não bastasse, tudo concorre com tudo agora. A competição é pelo tempo e pelo dinheiro do consumidor potencial. No restaurante, refrigerante compete com tubaína, mas também com suco, água natural e aromatizada pela preferência do cliente. No hospital, cardiologista concorre com oncologista, mas também com administradores, advogados e até engenheiros pela direção do estabelecimento.

Mas todo produto encerra em si a prestação de um serviço. E é neste campo que o jogo pode e deve ser jogado. Saem os predicados objetivos, entram os subjetivos. Em lugar da forma, o conteúdo. Em vez do palpável, o intangível.

Atendimento é a palavra de ordem. O bom atendimento, vale frisar. Atendimento que deriva de atenção, da capacidade de direcionar não somente olhos e ouvidos, mas os cinco sentidos para acolher a uma demanda qualquer.

Imagem que se fortalece, valor que se tonifica.

8. People

A era do conhecimento colocou as pessoas em primeiro lugar, suplantando as máquinas.

E a importância das pessoas começa pelo cliente, esta entidade poderosa dotada da propriedade de fazer uma companhia prosperar ou capitular.

Porém, há um cliente específico, igualmente significativo, mas cuja relevância precede ao anterior. Trata-se do cliente interno, formado pelos parceiros de trabalho, seja qual for o ambiente. São eles os seus colegas de trabalho, de todos os níveis hierárquicos, e os demais alunos matriculados no seu curso universitário, ao lado de todo o corpo docente.

Da harmonia no relacionamento interpessoal cultivado junto a estes pares depende o êxito de qualquer empreitada. No mundo corporativo, por exemplo, um ambiente saudável entre os colaboradores permite a formação de equipes altamente comprometidas com a organização o que se traduz em excelência no atendimento ao cliente externo, possibilitando sua fidelização.

O instrumento utilizado neste processo de evolução das relações internas atende pelo nome de endomarketing.

É através das pessoas que poderá colher impressões reais a seu respeito tencionando praticar o kaizen, ou aprimoramento contínuo. E um dos melhores expedientes de coleta de informações é um questionário para levantamento de pontos fortes e fracos. Experimente aplicá-lo junto a pessoas de seu relacionamento que, mais do que amigas, sejam justas e dispostas a auxiliar você na busca pelo autoconhecimento.

9. Providers

Fornecedores já foram tidos como uma espécie de “mal necessário”. Eram tempos em que os monopólios reinavam absolutos impondo-nos preços, prazos e condições.

A tecnologia, a profusão e difusão das inovações, a expansão dos mercados, enfim, as novas relações de consumo alteraram o perfil dos providers. E, por decorrência do exposto na variável anterior, o endomarketing tornou você cliente e fornecedor ao mesmo tempo.

A necessidade de concentrar tempo, recursos e energia no phocus propiciou o surgimento da terceirização. Tal como empresas passaram a se dedicar quase integralmente à sua atividade-fim, delegando operações acessórias a outras companhias para elevar sua competitividade, da mesma maneira você deve conduzir sua carreira.

Exemplificando a partir de temas já abordados, contrate um especialista para desenvolver seu website em vez de aprender recursos de programação apenas para esta finalidade. Confeccione seus cartões de visita em uma gráfica, ao invés de produzi-los artesanalmente em sua impressora. Abrace o profissionalismo como lema, pois cada decisão, por menor que seja, impacta sua imagem.

Ao contratar estes novos parceiros, certifique-se de que eles trabalham em sintonia com seus valores e podem atender suas demandas dentro de condições favoráveis.

E, por derradeiro, no papel de fornecedor, considere a possibilidade de trabalhar no sistema home office, ou seja, a partir de um escritório estruturado em sua própria residência. Esta pode ser uma alternativa secundária para uma atividade suplementar que com o tempo possa assumir o posto de principal. Mas tenha consigo a recomendação de que para ter sucesso nesta iniciativa é preciso mais do que infra-estrutura. Preparo, organização e disciplina são quesitos fundamentais.

10. Post-Place

A primeira venda não é a mais difícil de ser realizada. É a segunda, porque sinaliza fidelidade. Este conceito vale para produtos, vale para serviços, vale para sua imagem e para a atividade que desempenhar. Você pode chamá-lo de aftermarketing, porque vem depois da venda.

Pergunte-se: quantas vezes você já acionou um SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente, tendo seu problema resolvido? Em quantas ocasiões recebeu um telefonema de retorno de alguém para agradecer-lhe pela presença ou participação num evento qualquer?

Costumo dizer que nós somos maus amantes, porque costumamos lutar por nossas conquistas e desmerecê-las logo em seguida, tão logo seja superado o sabor do desafio.

Por isso, aprenda a agradecer. Agradeça não apenas por presentes recebidos, mas também por um sorriso, por uma singela mensagem. Cultive o hábito de jamais deixar alguém sem resposta, ainda que ela seja negativa ou inconclusa.

Retorne telefonemas recebidos, recados remetidos, mensagens postadas. Cumprimente com cordialidade as pessoas que encontrar, mesmo que acidentalmente. Vale para o frentista, o ascensorista, o operador de caixa.

Coloque-se disponível às pessoas. Evite criar barreiras, forjar obstáculos, tornar-se inacessível como se isso fosse torná-lo mais importante, desejado ou respeitado. O mundo anda carente de alegrias e basta uma delas para combater muitas tristezas. A gratidão e a benevolência não trazem a felicidade, mas ajudam a assegurá-la.

11. Protection

Esteja atento para assuntos relacionados à proteção legal. Primeiro, para resguardar a si mesmo e à sua imagem. Segundo, para evitar o inverso, ou seja, que você, desafortunadamente, por um lapso em uma fração de segundos, invada a privacidade alheia, cometa um plágio, ultrapasse a linha tênue que muitas vezes separa o plausível do inaceitável.

Procure patentear sua marca pessoal, caso crie uma. Registre seu domínio www. Conheça o código de ética da sua categoria profissional e estude o código de conduta da sua empresa. Leia e aprenda a interpretar o Código de Defesa do Consumidor e a Constituição Federal.

12. Percognitiom

A última variável das ferramentas para edificação de seu planejamento estratégico pessoal é um neologismo em inglês que representa uma seqüência de ações capazes de referendar os passos anteriores: percepção, reconhecimento, reputação, imagem e marca.

Isso posto, todo o planejamento só poderá ser qualificado como válido se houver a percepção de suas qualidades e atributos. Uma vez percebido ou notado, que você seja reconhecido e, ato contínuo, reputado positivamente. Então ocorrerá a experimentação, representada pelas oportunidades de interação que conduzam à convivência, respaldando uma imagem sólida que se incorpore à sua marca pessoal.

O percognitiom é fruto de um processo de diferenciação capaz de lhe tornar dotado de características únicas e indissociáveis, suficientes para conquistar a o respeito, a admiração e a confiança das pessoas em seus corações e mentes.

Lembre-se de que o hoje é a vitória sobre o você de ontem e a preparação para o seu amanhã. Falhar em planejar é planejar falhar.

Tom Coelho!, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.
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Uma questão de afinidade

Por que você precisa se identificar com a cultura da sua empresa - Revista Exame

Por Simon Franco

Num trabalho recente para uma empresa do sul do país, encontrei a reprodução de uma situação que tem se tornado extremamente comum. Deparei com um profissional com excelente qualificação técnica, grande experiência e um profundo senso de responsabilidade. Em sua ficha, constava também que ele estava há muito tempo na organização. Acontece que aquele profissional nunca tinha passado do escalão médio. Seu perfil era de diretor. Seu papel era de subgerente. Qual a razão dessa contradição? Ao entrevistá-lo, o mistério se desfez para mim: ele era, na cultura da empresa, um estranho no ninho.

A cultura de uma empresa não é algo abstrato. Ela diz respeito a um conjunto concreto de formas de agir, de se expressar, de se comunicar, até mesmo de se vestir. Há códigos implícitos de conduta e de comportamento que são decisivos e constituem a personalidade da empresa. Quem não estiver sintonizado com esses códigos dificilmente conseguirá ter boas chances de crescimento. Não se trata de achar que todos os profissionais devem ser clones uns dos outros, mas de perceber o imenso peso que a identificação com a cultura tem hoje no desenvolvimento da carreira.

O caso desse profissional era de total falta de afinidade cultural. A empresa tinha raízes na tradição germânica e um ambiente circunspecto, um tanto silencioso e muito formal. Muitos colegas tratam-se por "senhor". No meio disso, o nosso subgerente primava pelo humor, chegando a fazer algumas ironias com a seriedade dos outros. Um sujeito expansivo, muito inteligente e que gostava de contar "causos" e de dar risadas.

O que a empresa via nisso? Falta de confiabilidade. "Não dá para confiar, ele é meio moleque", disse um dos diretores. "É inteligente, muito bem preparado, mas é um pouco fora do padrão." Havia ali um talento subaproveitado por falta de afinidade cultural. Esse foi o diagnóstico que apresentei para o caso. Conversei sobre isso com a direção da companhia, mas sabia de antemão que ele dificilmente seria mais bem aproveitado ali.

Com extrema correção e sentido ético, os diretores concordaram com minha avaliação. "Realmente será difícil ele passar para um escalão mais alto, mesmo tendo qualificação para isso. Sinta-se à vontade para conversar sobre isso com ele e, se conhecer alguma oportunidade profissional na qual ele se encaixe, ajude-o a crescer", disse o diretor de recursos humanos. Três meses depois, tive a oportunidade de oferecer àquele subgerente um cargo de direção numa empresa de comunicação na qual ele se encaixava culturalmente. Ele ainda está lá, numa posição de destaque.

Esse caso é uma grande lição. Ele indica que precisamos fazer avaliações constantes de nossa vida profissional, não apenas do ponto de vista da qualificação e do desempenho, mas também do ponto de vista da afinidade entre a nossa personalidade e a da empresa. Diversos casos de carreiras empacadas podem ser explicados por essa falta de afinidade. A empresa não demite o profissional, pois ele é competente, mas não permite seu crescimento, porque ele é diferente.

Nesses casos, a melhor solução nem sempre é buscar uma nova posição. Podemos também aprender a agir e a nos comportar de forma diferente. Desde que -- é claro -- isso não signifique nenhuma violência à nossa própria forma de ser e de pensar.

Simon Franco é CEO da Simon Franco/TMP Worldwide do Brasil e autor de Criando o Próprio Futuro e O Profissionauta.

Enfrente seus medos e assuma mais riscos...

Enfrente seus medos - Edição 800 da Revista Exame

E assuma mais riscos. Ou alguém assumirá no seu lugar

Por Simon Franco

Há pouco tempo, conheci um executivo que possui uma experiência muito interessante. Ele havia trabalhado por quase seis anos num ministério, em Brasília, responsável por contratos e gerenciamento operacional de gastos de um programa governamental que contava com aporte de milhões de dólares vindos de um banco internacional de desenvolvimento. Promovia as licitações necessárias, as contratações, enfim, cuidava de todos os procedimentos burocráticos. Após sair do governo, teve uma rápida passagem pela iniciativa privada: menos de três meses como diretor administrativo de uma empresa de comunicação. Foi demitido. Na semana passada, liguei para ele e perguntei se podia contar a história nesta coluna. Ele autorizou, com a seguinte frase: "Apanhei para aprender, tomara que meu aprendizado ajude alguém a não cair na mesma armadilha".

A armadilha à qual ele se referia era o medo. Sua norma de conduta era cumprir rigorosamente todos os procedimentos previstos nos manuais, seguir as regras religiosamente, agir dentro de todas as formalidades possíveis. Ao mesmo tempo, tentava a todo custo evitar "trombadas" e "disputas". Tinha medo de se envolver em conflitos, medo de ser repreendido por alguma auditoria, medo de ser acusado de alguma falha administrativa. Vivia numa constante "operação-padrão". Esse "treinamento" imposto pela rigidez burocrática do serviço público levava a duas conseqüências imediatas: as coisas demoravam para andar e nunca surgia uma solução inovadora. Quando ele aplicou esse método numa empresa privada, descobriu que gerava ainda uma terceira conseqüência, invisível em seus anos de governo: prejuízo.

O medo trava a criatividade e a produtividade. E isso não vale apenas para quem esteve num cargo público. O desemprego, a diminuição do número de postos de executivos, as incertezas sobre o futuro, a competição acirrada, tudo isso tem disseminado o medo também fortemente na iniciativa privada, entre profissionais de todas as áreas.

Os profissionais têm medo de perder o emprego. Os executivos têm medo de perder o status profissional -- e, em conseqüência, o status social. Os empresários e acionistas têm medo de perder a empresa. E todos, por mais que busquem, não encontram respostas prontas na experiência passada ou nos manuais do presente. É cada vez mais difícil traçar cenários futuros num mundo em transformação acelerada. Vivemos numa "bolha do tempo".

Nessa bolha, a principal arma que possuímos é o "método da tentativa e erro", em lugar dos ensinamentos tradicionais e das teorias consagradas. Tentar coisas diferentes, apostar em inovações, sem nunca ter certeza de que vai dar certo. Experimentar. O nó da questão é que o medo inviabiliza essa postura. Quem tem medo não arrisca, fica paralisado e não encontra caminhos novos. As normas, os procedimentos e os hábitos empresariais são adotados como "escudos" para justificar a paralisia.

A essência do mercado é o risco. Isso quer dizer imaginar, descobrir novas formas de atuação, às vezes atropelar hábitos e manuais, para ser diferente e melhor.

"É assim que tem de ser feito." "São essas as normas." "Há uma série de procedimentos que devemos cumprir antes disso." Essas frases vão se tornando comuns numa situação de amedrontamento. Você tem usado essas frases? Se a resposta é sim, está na hora de enfrentar seus medos e assumir mais riscos. Ou alguém os assumirá no seu lugar.

Simon Franco é CEO da Simon Franco/TMP Worldwide do Brasil e autor de Criando o Próprio Futuro e O Profissionauta.