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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Leitura: hábito que leva ao desenvolvimento

[ Desenvolvimento ]
Leitura: hábito que leva ao desenvolvimento

Patrícia Bispo
Jornalista responsável pelo conteúdo da comunidade virtual RH.com.br.

Patrocinado por AncoraRh Informática (www.ancorarh.com.br)

A busca pela disseminação do conhecimento não é apenas mais um assunto na lista de discussão de uma reunião corporativa, mas sim uma questão que precisa ser levada a sério e colocada em prática. Afinal, o fluxo de informações vence fronteiras e chega às organizações, de forma incontestável, em uma velocidade cada vez maior. Resultado: as empresas necessitam contar com profissionais qualificados para enfrentar as exigências de uma competitividade acirrada.

Diante dessa realidade, cada empresa busca desenvolver mecanismos próprios que estimulem o desenvolvimento dos funcionários. Muitas vezes, a solução está em alternativas simples, contudo criativas. Um desses exemplos acontece com a Drogaria São Paulo, que através do estímulo à leitura conseguiu despertar entre os funcionários a capacidade de ver o mundo sob prismas bem mais amplos do que eles poderiam imaginar.

A idéia de instigar a prática de leitura entre os profissionais que atuam na organização surgiu no início da década de 90, graças à iniciativa de um supervisor dos depósitos da empresa que buscou inspiração na biblioteca da faculdade onde estudava. Observando o valor que a leitura agregava à vida das pessoas, ele apresentou a proposta ao presidente da companhia e logo recebeu o apoio inicial para comprar 80 livros para implantar a biblioteca que recebeu o nome Thomaz de Carvalho – homenagem prestada ao fundador da empresa.

O primeiro passo tinha sido dado: os títulos haviam sido adquiridos e, no início, a maioria dos livros tinha cunho didático, especificamente sobre administração de empresas. O acervo da biblioteca cresceu devido às adesões dos funcionários, que para se associarem à biblioteca eram convidados a fazer uma adoção. Para se ter uma idéia de como o hábito da leitura tornou-se uma rotina junto aos colaboradores da empresa, hoje existem bibliotecas em cada unidade da Drogaria São Paulo nas mais de 200 lojas da rede – distribuídas em mais de 40 municípios nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Ceará. Em números, isso significa mais de 60 mil livros disponíveis nas bibliotecas regionais.

Com o passar do tempo, estimular os funcionários a freqüentarem o ambiente literário não era o suficiente para a empresa. Era preciso ir um pouco além e levar os livros até os colaboradores. Foi quando em 2001 surgiu uma nova proposta: criar uma biblioteca itinerante, aonde os livros “caminhariam” até chegar às pessoas. De acordo com Tereza Amorim, gerente de RH da Drogaria São Paulo, a princípio, a Biblioteca Itinerante começou com 1.850 livros que foram doados pelo presidente da empresa, mas hoje o acervo chega a três mil títulos.

Atualmente, cada loja possui uma média de 17 livros que funcionam no sistema itinerante. “As unidades recebem uma relação dos livros em PDF e disponibilizam a relação para todos da equipe. O funcionário pode solicitar um livro que está em outra unidade. O funcionário interessado pelo livro realiza a solicitação, o responsável pela biblioteca faz as anotações do nome do profissional e da loja que está sendo encaminhado o título. O funcionário terá o prazo de 15 dias para concluir leitura e devolver o livro, podendo prorrogar o prazo por mais 15 dias”, explica Tereza Amorim, ao acrescentar que além de contribuir para formação dos colaboradores a leitura é uma alternativa de lazer.

Os títulos – Uma da maneiras encontradas pela Drogaria São Paulo para estimular os funcionários a lerem foi permitir que eles sugerissem a compra de exemplares. Hoje, o acervo é bastante variado e conta com best-sellers do mundo corporativo como: “O Monge e o Executivo”, de James C. Hunter, “Pai Rico Pai Pobre” de Robert T. Kiyosaki & Sharon L. Lechter e “Os 7 Hábitos da Pessoas Altamente Eficazes” de Stephen R. Covey. Mas para quem é adepto de uma literatura diversificada também estão disponíveis obras como “Os Irmãos Karamazov“ de Feódor Dostoievski, “O Xangô de Baker Street” de Jô Soares, bem como livros didáticos de administração e gerenciamento.

Quando questionada sobre a receptividade dos funcionários em relação à leitura, a gerente de RH mostra-se animada, pois os colaboradores doam livros, apresentam sugestões e a quantidade de adesões tem aumentado. “O investimento na cultura traz mais respeito e credibilidade à organização. Para os nossos funcionários a possibilidade de ter diversos títulos à disposição, permite que eles estudem e façam pesquisas para suas atividades escolares nas horas vagas. O maior benefício conquistado por eles, é o conhecimento adquirido através da leitura”, conclui, ao lembrar que só esse ano a empresa já investiu cerca de 15 mil reais para a compra de novos títulos.

Publicado em 22/04/2008 no www.RH.com.br.

Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br.
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© atodigital.com

terça-feira, 15 de abril de 2008

Planejamento Estratégico Pessoal

Planejamento Estratégico Pessoal
*por Tom Coelho

Estamos acostumados a falar sobre planejamento estratégico no âmbito das corporações. Empresas, instituições e governos preparam, normalmente no quarto trimestre, novos planos e a revisão de planos existentes para o ano seguinte, bem como para períodos mais longos.

Mas a proposta deste ensaio é conduzir você na execução de um planejamento estratégico diferente e especial: o plano de sua vida. E, para fazê-lo, iremos nos basear em uma metodologia inovadora.

Parte A – O Tripé do Planejamento Estratégico Pessoal

Planejamento estratégico pessoal é o processo de construir o seu futuro. E tal como nas corporações, a primeira etapa consiste na definição de três aspectos essenciais: missão, valores e visão.

1. Missão

A missão é a sua razão de existir. Entendê-la habita antigas questões filosóficas como: “De onde viemos?” e “Para onde vamos?”.

Descobrir sua missão é fruto das perguntas que você se fizer. Algumas sugestões:

a) O que está incompleto em sua vida?
Procure entender o que falta para sentir-se realizado em termos profissionais e pessoais.

b) O que gostaria de aprender?
A resposta indicará suas paixões e poderá revelar talentos latentes que tenha negligenciado no decorrer dos anos, seja pela rotina imposta pelo cotidiano, seja pelo medo auto-imposto.

c) O que faria se ganhasse um grande prêmio numa loteria?
O propósito é observar se há planos que você tem adiado indefinidamente sob a alegação de falta de recursos. É possível que sua missão esteja mergulhada neste pântano sombrio desenhado em sua mente e que a realização deste sonho seja exeqüível mesmo diante da ausência de dinheiro.

d) O que faria se tivesse somente seis meses de vida?
É uma questão lúgubre, sei disso. Mas ela se faz necessária para que você avalie suas reais prioridades e reflita sobre como tem gerenciado seu recurso mais significativo e perene: seu tempo.

e) Imagine-se em seu enterro...
A exemplo da pergunta anterior, este é um exercício revelador. A proposta é que você se imagine nesta situação e procure identificar três pessoas de seu relacionamento: um familiar, um amigo e um colega de trabalho. Ouça o que estão dizendo sobre você e quais os sentimentos que delas afloram. Talvez perceba como as tem tratado e quanto de amizade, carinho e amor tem oferecido àqueles que lhe são importantes.

Após todos estes questionamentos, analise suas respostas. Elas indicarão seu legado, ou seja, a contribuição que deixará para o mundo e através da qual poderá eternizar seu nome e seus feitos.

2. Valores

Os valores são os princípios que guiam as decisões e balizam o comportamento no cumprimento da missão.

Desde muito cedo, por influência de nossos pais e familiares, estabelecemos um conjunto de valores. Mas as pessoas, o ambiente, as crenças e as circunstâncias agem no sentido de modificá-los. Um bom exemplo desta mutabilidade dos valores é o estatuto da pena de morte. Você pode ser absolutamente contrário à aplicação da sentença capital. Porém, se um ente querido for vitimado por um ato de violência extrema, é possível que você passe a tolerá-la em condições excepcionais.

Para encontrar seus valores:

a) Identifique os princípios que governam sua vida.
É uma tarefa demorada e que ordena alta concentração e reflexão. Verifique os valores mais recorrentes em seus pensamentos e ações. Podem ser a integridade e a justiça, indicando um perfil voltado à conduta social; ou a humildade e a generosidade, sinalizando para foco em serviços ao próximo; ou a autonomia e a autoconfiança, apontando para o egocentrismo. Pode ser um conjunto de todos eles. Não importa. O fundamental é que os aspectos selecionados representem o que você de fato é, e não o que gostaria que as pessoas pensassem a seu respeito. Assim, escolha valores inerentes ao seu caráter e não à sua reputação.

b) Coloque-os em ordem de prioridade.
Após selecionar entre cinco e sete valores, procure ordená-los de acordo com o grau de importância relativa. É um momento decisivo, pois exigirá que você faça escolhas. Neste momento ficará evidenciado se os valores preponderantes são materiais ou emocionais, individuais ou coletivos.

c) Escreva um parágrafo para cada um dos valores escolhidos.
É o momento de unir razão e emoção, cabeça e coração. Coloque no papel o porquê de suas escolhas, leia com atenção e reflita.

Ao final você terá escrito o que denomino “Constituição Pessoal”. É sua carta de valores, pessoal e intransferível. Carregue consigo esta pequena lista, leia-a regularmente e tome suas decisões com base nela. Uma atitude em desacordo com seus valores deverá causar desconforto, incômodo até, ensejando uma mudança atitudinal ou uma revisão dos valores selecionados.

3. Visão

A visão é a explicitação do que você espera e acredita para o seu futuro. É uma imagem mental poderosa que tem a propriedade de materializar sonhos.

Para construir uma visão de futuro:

a) Imagine-se daqui a alguns anos.
Onde você estará em um, cinco, dez e 25 anos? O que estará fazendo? Quais terão sido suas realizações? Quem terá conhecido? O que terá aprendido?

b) Adote um “diário do futuro”.
Há quem ainda escreva diários, um registro pessoal e muitas vezes secreto de comportamentos, pensamentos e ações. Modernamente os diários ganharam o mundo virtual através dos blogs. Em qualquer dos casos, faça seus relatos não sobre o passado, mas sobre o futuro que imaginou conforme sugestão anterior. Seja detalhista, entusiasmado e profético ao discorrer suas palavras.

c) Projete o filme da sua vida.
Reúna suas experiências passadas e sua visão de futuro, ambas ilustradas pelos seus diários do passado e do futuro, para imaginar o filme de sua vida, uma película extraordinária onde você figura como diretor e protagonista de sua própria história.

Ao vislumbrar seu futuro, lembre-se de desenhá-lo com cores alegres, vibrantes e positivas. O que hoje se conceitua como “leis da atração” nada mais é do que uma imagem mental positiva amparada por ação concreta em direção da realização e da conquista do sucesso.

Parte B – A Caixa de Ferramentas

Os convencionais 4Ps, apresentados por Jerome McCarthy em sua obra Basic Marketing, de 1960, como únicas variáveis relevantes do chamado composto mercadológico, receberam uma abordagem inovadora. Mais de quarenta anos de estudo e trabalho permitiram a Francisco Alberto Madia de Souza, presidente da Madia Mundo Marketing, desenvolver uma matriz fantástica formada por 12Ps, conforme apresentaremos adiante.

1. PEST

Agora que já descobriu sua missão de vida, selecionou os valores que irão balizar seus comportamentos e ações e determinou onde pretende estar a partir de sua visão do futuro, deverá fazer uma análise atenta do ambiente externo, ou seja, o ambiente Político, Econômico, Social e Tecnológico no qual está inserido.

O ambiente político ganhou notoriedade ainda maior dentro da atual conjuntura do país devido aos desmandos envolvendo governantes de todas as esferas do poder, colocando a ética no centro das atenções. Assim, a conduta moral ilibada passou a ser, além de louvável, pré-requisito para viver em sociedade e edificar a imagem pessoal.

O ambiente econômico pode ser resumido na força de uma palavra: globalização. Muros e cortinas ruíram, decretando o fim das fronteiras físicas. Telefones e computadores encurtaram distâncias. Caminhamos para idiomas e moedas universais, promovendo uma aproximação cultural sem precedentes.

O ambiente social, como que por decorrência dos anteriores, acionou o alerta da responsabilidade socioambiental. As desigualdades entre os povos precisam ser dirimidas. O crescimento não pode ser de poucos e o desenvolvimento precisa ser sustentável para não comprometer as gerações futuras.

O ambiente tecnológico legou-nos a inovação e com ela a certeza de que sempre será possível fazer melhor, mais rápido e mais barato. É um retorno a cinco séculos antes de Cristo e a dialética de Heráclito de Éfeso que dizia: “Tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo”.

Do ambiente externo aprendemos que devemos estar em constante busca pelo conhecimento e pela inovação, agindo num mundo globalizado com ética e foco na sustentabilidade.

2. Phocus

Compreendido o ambiente externo, estabeleça seu foco de atuação. Pode parecer elementar, mas muitos se equivocam neste instante, comprometendo o resultado de todo o planejamento. E erram ou por constituir muitos focos ou por eleger como primordial o objetivo inadequado.

Várias flechas não garantem o acerto do alvo, e vários alvos confundem o arqueiro. Por isso, a definição deve ser clara, analítica e específica. Procure fundamentá-la em sua missão, orientá-la pelos seus valores e traçá-la em direção à sua visão.

Resista à tentação de definir seu foco por interferência de terceiros. Isso acontece, por exemplo, com jovens em estágio pré-vestibular, por ocasião da escolha do curso superior, quando optam pela mesma carreira dos pais ou seguem à risca a sugestão de amigos ou familiares.

É também comum a definição do foco por influências de cunho conjuntural, como moda ou expectativa momentânea de ganhos financeiros elevados. Assim pode-se notar com profissionais que escolheram carreiras a partir da análise de pesquisas salariais, negligenciando seus anseios de realização e talentos pessoais. Invariavelmente a desilusão os visita com brevidade, trazendo-lhes o desafio do recomeço ou o equívoco de persistir no erro.

3. Positioning

O posicionamento consiste no planejamento e organização de sua identidade pessoal. Representa todos os sinais e códigos de comunicação transmitidos por seu estilo e personalidade.

O objetivo é delimitar, baseado no seu phocus, as características mais singulares que nortearão a construção de sua imagem com intuito de conquistar o respeito, a admiração e a confiança das pessoas.

4. Product

Observado como se fora um produto, é o momento de trabalhar seu marketing pessoal, projetando uma imagem de marca em relação a si a partir de dois níveis essenciais: a embalagem e o conteúdo.

O aspecto externo é o princípio de tudo, pois você não terá uma segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão. Portanto, cuide de sua aparência, trajando-se com propriedade, evitando o uso excessivo de acessórios e cosméticos, aprendendo regras de etiqueta e melhorando seu vocabulário, tanto falado quanto escrito.

Mas embora o design seja determinante, se o que estiver por dentro não lastrear a expectativa criada, você seguramente deixará de se estabelecer. Por isso, atente para sua formação acadêmica. Estude com regularidade e aprenda outros idiomas. Seja uma pessoa autêntica, transparente e íntegra. É o melhor caminho para conquistar a confiança e simpatia das pessoas.

5. Promotion

Não adianta fazer a melhor coisa do mundo ou ter atributos invejáveis se ninguém tomar conhecimento. É preciso comunicar e repercutir. Esta ferramenta poderia ser traduzida literalmente por promoção, mas envolve mais do que isso: é o campo da propaganda e da comunicação.

Por isso, tenha sempre seu cartão de visitas à mão, mesmo que esteja desempregado. Crie um blog ou website pessoal e participe de comunidades na internet. Depois crie suas próprias comunidades.

Se gostar de escrever, publique artigos. E depois um livro. Se não gostar de escrever, comece a ler mais e aprenda a escrever.

Além disso, participe de eventos para ver e ser visto. E todo tipo de evento. Shows, seminários, feiras, reuniões de condomínio. Procure freqüentar ambientes variados para ter acesso a pessoas diferentes, com formação, cultura e idéias diversas.

Faça um curso de expressão verbal e aprenda a arte da retórica. A habilidade de falar em público abre portas e eleva a auto-estima e a autoconfiança.

O resultado final deste processo de comunicação é uma ampla rede de relacionamento, o tão comentado networking. Procure criá-la e expandi-la em sintonia com o seu phocus.

6. Place

Falamos aqui de distribuição. Utilizando as técnicas de comunicação sugeridas no tópico anterior, suas idéias e ideais poderão ser conhecidos por todos que se sentirem seduzidos a visitar seu sítio na internet.

A reunião de opiniões qualificadas e networking extenso pode proporcionar grande alcance e destaque para seus conceitos e sua imagem. Mas lembre-se de guardar fidelidade e alinhamento à sua missão. Com base nela, seu place, ou seu mundo, poderá acertadamente se restringir não aos cinco continentes, mas apenas à sua comunidade.

7. Price

O preço é absoluto, mas o valor é sempre relativo.

O preço é um atributo típico dos produtos. E estes têm sido comoditizados ao longo do tempo. Olhe ao seu redor e analise produtos similares de diferentes marcas das mais variadas empresas.

Analogamente, todos nós, tomados como produtos no mercado de trabalho, também nos assemelhamos. Nossas competências técnicas são muito próximas, posto que ensinadas nas mesmas escolas, com metodologias parecidas e mesmos livros didáticos. O que outrora fora um diferencial, como o domínio de um segundo idioma ou um título de pós-graduação, hoje representa apenas igualdade de condições junto aos demais profissionais.

Como se não bastasse, tudo concorre com tudo agora. A competição é pelo tempo e pelo dinheiro do consumidor potencial. No restaurante, refrigerante compete com tubaína, mas também com suco, água natural e aromatizada pela preferência do cliente. No hospital, cardiologista concorre com oncologista, mas também com administradores, advogados e até engenheiros pela direção do estabelecimento.

Mas todo produto encerra em si a prestação de um serviço. E é neste campo que o jogo pode e deve ser jogado. Saem os predicados objetivos, entram os subjetivos. Em lugar da forma, o conteúdo. Em vez do palpável, o intangível.

Atendimento é a palavra de ordem. O bom atendimento, vale frisar. Atendimento que deriva de atenção, da capacidade de direcionar não somente olhos e ouvidos, mas os cinco sentidos para acolher a uma demanda qualquer.

Imagem que se fortalece, valor que se tonifica.

8. People

A era do conhecimento colocou as pessoas em primeiro lugar, suplantando as máquinas.

E a importância das pessoas começa pelo cliente, esta entidade poderosa dotada da propriedade de fazer uma companhia prosperar ou capitular.

Porém, há um cliente específico, igualmente significativo, mas cuja relevância precede ao anterior. Trata-se do cliente interno, formado pelos parceiros de trabalho, seja qual for o ambiente. São eles os seus colegas de trabalho, de todos os níveis hierárquicos, e os demais alunos matriculados no seu curso universitário, ao lado de todo o corpo docente.

Da harmonia no relacionamento interpessoal cultivado junto a estes pares depende o êxito de qualquer empreitada. No mundo corporativo, por exemplo, um ambiente saudável entre os colaboradores permite a formação de equipes altamente comprometidas com a organização o que se traduz em excelência no atendimento ao cliente externo, possibilitando sua fidelização.

O instrumento utilizado neste processo de evolução das relações internas atende pelo nome de endomarketing.

É através das pessoas que poderá colher impressões reais a seu respeito tencionando praticar o kaizen, ou aprimoramento contínuo. E um dos melhores expedientes de coleta de informações é um questionário para levantamento de pontos fortes e fracos. Experimente aplicá-lo junto a pessoas de seu relacionamento que, mais do que amigas, sejam justas e dispostas a auxiliar você na busca pelo autoconhecimento.

9. Providers

Fornecedores já foram tidos como uma espécie de “mal necessário”. Eram tempos em que os monopólios reinavam absolutos impondo-nos preços, prazos e condições.

A tecnologia, a profusão e difusão das inovações, a expansão dos mercados, enfim, as novas relações de consumo alteraram o perfil dos providers. E, por decorrência do exposto na variável anterior, o endomarketing tornou você cliente e fornecedor ao mesmo tempo.

A necessidade de concentrar tempo, recursos e energia no phocus propiciou o surgimento da terceirização. Tal como empresas passaram a se dedicar quase integralmente à sua atividade-fim, delegando operações acessórias a outras companhias para elevar sua competitividade, da mesma maneira você deve conduzir sua carreira.

Exemplificando a partir de temas já abordados, contrate um especialista para desenvolver seu website em vez de aprender recursos de programação apenas para esta finalidade. Confeccione seus cartões de visita em uma gráfica, ao invés de produzi-los artesanalmente em sua impressora. Abrace o profissionalismo como lema, pois cada decisão, por menor que seja, impacta sua imagem.

Ao contratar estes novos parceiros, certifique-se de que eles trabalham em sintonia com seus valores e podem atender suas demandas dentro de condições favoráveis.

E, por derradeiro, no papel de fornecedor, considere a possibilidade de trabalhar no sistema home office, ou seja, a partir de um escritório estruturado em sua própria residência. Esta pode ser uma alternativa secundária para uma atividade suplementar que com o tempo possa assumir o posto de principal. Mas tenha consigo a recomendação de que para ter sucesso nesta iniciativa é preciso mais do que infra-estrutura. Preparo, organização e disciplina são quesitos fundamentais.

10. Post-Place

A primeira venda não é a mais difícil de ser realizada. É a segunda, porque sinaliza fidelidade. Este conceito vale para produtos, vale para serviços, vale para sua imagem e para a atividade que desempenhar. Você pode chamá-lo de aftermarketing, porque vem depois da venda.

Pergunte-se: quantas vezes você já acionou um SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente, tendo seu problema resolvido? Em quantas ocasiões recebeu um telefonema de retorno de alguém para agradecer-lhe pela presença ou participação num evento qualquer?

Costumo dizer que nós somos maus amantes, porque costumamos lutar por nossas conquistas e desmerecê-las logo em seguida, tão logo seja superado o sabor do desafio.

Por isso, aprenda a agradecer. Agradeça não apenas por presentes recebidos, mas também por um sorriso, por uma singela mensagem. Cultive o hábito de jamais deixar alguém sem resposta, ainda que ela seja negativa ou inconclusa.

Retorne telefonemas recebidos, recados remetidos, mensagens postadas. Cumprimente com cordialidade as pessoas que encontrar, mesmo que acidentalmente. Vale para o frentista, o ascensorista, o operador de caixa.

Coloque-se disponível às pessoas. Evite criar barreiras, forjar obstáculos, tornar-se inacessível como se isso fosse torná-lo mais importante, desejado ou respeitado. O mundo anda carente de alegrias e basta uma delas para combater muitas tristezas. A gratidão e a benevolência não trazem a felicidade, mas ajudam a assegurá-la.

11. Protection

Esteja atento para assuntos relacionados à proteção legal. Primeiro, para resguardar a si mesmo e à sua imagem. Segundo, para evitar o inverso, ou seja, que você, desafortunadamente, por um lapso em uma fração de segundos, invada a privacidade alheia, cometa um plágio, ultrapasse a linha tênue que muitas vezes separa o plausível do inaceitável.

Procure patentear sua marca pessoal, caso crie uma. Registre seu domínio www. Conheça o código de ética da sua categoria profissional e estude o código de conduta da sua empresa. Leia e aprenda a interpretar o Código de Defesa do Consumidor e a Constituição Federal.

12. Percognitiom

A última variável das ferramentas para edificação de seu planejamento estratégico pessoal é um neologismo em inglês que representa uma seqüência de ações capazes de referendar os passos anteriores: percepção, reconhecimento, reputação, imagem e marca.

Isso posto, todo o planejamento só poderá ser qualificado como válido se houver a percepção de suas qualidades e atributos. Uma vez percebido ou notado, que você seja reconhecido e, ato contínuo, reputado positivamente. Então ocorrerá a experimentação, representada pelas oportunidades de interação que conduzam à convivência, respaldando uma imagem sólida que se incorpore à sua marca pessoal.

O percognitiom é fruto de um processo de diferenciação capaz de lhe tornar dotado de características únicas e indissociáveis, suficientes para conquistar a o respeito, a admiração e a confiança das pessoas em seus corações e mentes.

Lembre-se de que o hoje é a vitória sobre o você de ontem e a preparação para o seu amanhã. Falhar em planejar é planejar falhar.

Tom Coelho!, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.tomcoelho.com.br e comunicada sua utilização através do e-mail talento@tomcoelho.com.br

Uma questão de afinidade

Por que você precisa se identificar com a cultura da sua empresa - Revista Exame

Por Simon Franco

Num trabalho recente para uma empresa do sul do país, encontrei a reprodução de uma situação que tem se tornado extremamente comum. Deparei com um profissional com excelente qualificação técnica, grande experiência e um profundo senso de responsabilidade. Em sua ficha, constava também que ele estava há muito tempo na organização. Acontece que aquele profissional nunca tinha passado do escalão médio. Seu perfil era de diretor. Seu papel era de subgerente. Qual a razão dessa contradição? Ao entrevistá-lo, o mistério se desfez para mim: ele era, na cultura da empresa, um estranho no ninho.

A cultura de uma empresa não é algo abstrato. Ela diz respeito a um conjunto concreto de formas de agir, de se expressar, de se comunicar, até mesmo de se vestir. Há códigos implícitos de conduta e de comportamento que são decisivos e constituem a personalidade da empresa. Quem não estiver sintonizado com esses códigos dificilmente conseguirá ter boas chances de crescimento. Não se trata de achar que todos os profissionais devem ser clones uns dos outros, mas de perceber o imenso peso que a identificação com a cultura tem hoje no desenvolvimento da carreira.

O caso desse profissional era de total falta de afinidade cultural. A empresa tinha raízes na tradição germânica e um ambiente circunspecto, um tanto silencioso e muito formal. Muitos colegas tratam-se por "senhor". No meio disso, o nosso subgerente primava pelo humor, chegando a fazer algumas ironias com a seriedade dos outros. Um sujeito expansivo, muito inteligente e que gostava de contar "causos" e de dar risadas.

O que a empresa via nisso? Falta de confiabilidade. "Não dá para confiar, ele é meio moleque", disse um dos diretores. "É inteligente, muito bem preparado, mas é um pouco fora do padrão." Havia ali um talento subaproveitado por falta de afinidade cultural. Esse foi o diagnóstico que apresentei para o caso. Conversei sobre isso com a direção da companhia, mas sabia de antemão que ele dificilmente seria mais bem aproveitado ali.

Com extrema correção e sentido ético, os diretores concordaram com minha avaliação. "Realmente será difícil ele passar para um escalão mais alto, mesmo tendo qualificação para isso. Sinta-se à vontade para conversar sobre isso com ele e, se conhecer alguma oportunidade profissional na qual ele se encaixe, ajude-o a crescer", disse o diretor de recursos humanos. Três meses depois, tive a oportunidade de oferecer àquele subgerente um cargo de direção numa empresa de comunicação na qual ele se encaixava culturalmente. Ele ainda está lá, numa posição de destaque.

Esse caso é uma grande lição. Ele indica que precisamos fazer avaliações constantes de nossa vida profissional, não apenas do ponto de vista da qualificação e do desempenho, mas também do ponto de vista da afinidade entre a nossa personalidade e a da empresa. Diversos casos de carreiras empacadas podem ser explicados por essa falta de afinidade. A empresa não demite o profissional, pois ele é competente, mas não permite seu crescimento, porque ele é diferente.

Nesses casos, a melhor solução nem sempre é buscar uma nova posição. Podemos também aprender a agir e a nos comportar de forma diferente. Desde que -- é claro -- isso não signifique nenhuma violência à nossa própria forma de ser e de pensar.

Simon Franco é CEO da Simon Franco/TMP Worldwide do Brasil e autor de Criando o Próprio Futuro e O Profissionauta.

Enfrente seus medos e assuma mais riscos...

Enfrente seus medos - Edição 800 da Revista Exame

E assuma mais riscos. Ou alguém assumirá no seu lugar

Por Simon Franco

Há pouco tempo, conheci um executivo que possui uma experiência muito interessante. Ele havia trabalhado por quase seis anos num ministério, em Brasília, responsável por contratos e gerenciamento operacional de gastos de um programa governamental que contava com aporte de milhões de dólares vindos de um banco internacional de desenvolvimento. Promovia as licitações necessárias, as contratações, enfim, cuidava de todos os procedimentos burocráticos. Após sair do governo, teve uma rápida passagem pela iniciativa privada: menos de três meses como diretor administrativo de uma empresa de comunicação. Foi demitido. Na semana passada, liguei para ele e perguntei se podia contar a história nesta coluna. Ele autorizou, com a seguinte frase: "Apanhei para aprender, tomara que meu aprendizado ajude alguém a não cair na mesma armadilha".

A armadilha à qual ele se referia era o medo. Sua norma de conduta era cumprir rigorosamente todos os procedimentos previstos nos manuais, seguir as regras religiosamente, agir dentro de todas as formalidades possíveis. Ao mesmo tempo, tentava a todo custo evitar "trombadas" e "disputas". Tinha medo de se envolver em conflitos, medo de ser repreendido por alguma auditoria, medo de ser acusado de alguma falha administrativa. Vivia numa constante "operação-padrão". Esse "treinamento" imposto pela rigidez burocrática do serviço público levava a duas conseqüências imediatas: as coisas demoravam para andar e nunca surgia uma solução inovadora. Quando ele aplicou esse método numa empresa privada, descobriu que gerava ainda uma terceira conseqüência, invisível em seus anos de governo: prejuízo.

O medo trava a criatividade e a produtividade. E isso não vale apenas para quem esteve num cargo público. O desemprego, a diminuição do número de postos de executivos, as incertezas sobre o futuro, a competição acirrada, tudo isso tem disseminado o medo também fortemente na iniciativa privada, entre profissionais de todas as áreas.

Os profissionais têm medo de perder o emprego. Os executivos têm medo de perder o status profissional -- e, em conseqüência, o status social. Os empresários e acionistas têm medo de perder a empresa. E todos, por mais que busquem, não encontram respostas prontas na experiência passada ou nos manuais do presente. É cada vez mais difícil traçar cenários futuros num mundo em transformação acelerada. Vivemos numa "bolha do tempo".

Nessa bolha, a principal arma que possuímos é o "método da tentativa e erro", em lugar dos ensinamentos tradicionais e das teorias consagradas. Tentar coisas diferentes, apostar em inovações, sem nunca ter certeza de que vai dar certo. Experimentar. O nó da questão é que o medo inviabiliza essa postura. Quem tem medo não arrisca, fica paralisado e não encontra caminhos novos. As normas, os procedimentos e os hábitos empresariais são adotados como "escudos" para justificar a paralisia.

A essência do mercado é o risco. Isso quer dizer imaginar, descobrir novas formas de atuação, às vezes atropelar hábitos e manuais, para ser diferente e melhor.

"É assim que tem de ser feito." "São essas as normas." "Há uma série de procedimentos que devemos cumprir antes disso." Essas frases vão se tornando comuns numa situação de amedrontamento. Você tem usado essas frases? Se a resposta é sim, está na hora de enfrentar seus medos e assumir mais riscos. Ou alguém os assumirá no seu lugar.

Simon Franco é CEO da Simon Franco/TMP Worldwide do Brasil e autor de Criando o Próprio Futuro e O Profissionauta.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Os benefícios do networking

[ Carreira ]
Os benefícios que o networking proporciona à carreira

Patrícia Bispo
Jornalista responsável pelo conteúdo da comunidade virtual RH.com.br.

Na Era da Globalização as informações chegam às pessoas em um ritmo cada vez mais acelerado. Essa realidade não causa apenas impacto nas organizações, onde ações estratégicas podem ser tomadas com base em fatos que aconteceram no outro extremo do planeta. O dia-a-dia mostra que as pessoas também estão diretamente envolvidas nesse contexto e isso, por sua vez, gera conseqüências diretas na carreira de cada indivíduo. Hoje, não se concebe mais a idéia de que o desenvolvimento deve ser relegado a um segundo plano e tampouco que o isolamento não prejudicará a empregabilidade. Pelo contrário, as pessoas precisam estar atentas ao que acontece ao seu redor e em constante processo de atualização. Um dos recursos que os profissionais contam é o chamado networking ou rede de relacionamentos.

Segundo Neusa Hirota, gerente de desenvolvimento da Votorantim Industrial e consultora especialista em networking, para se construir uma boa rede de relacionamentos, é preciso respeitar quatro premissas: seletividade, respeito, interesse genuíno e reciprocidade. “Respeitadas as proporções em relação ao mundo corporativo, uma boa rede representa acesso a mais informações, a melhores decisões, a melhores oportunidades e maior competitividade profissional”, afirma. Em entrevista concedida ao RH.com.br, a consultora explica ainda que para cada pessoa existe uma forma diferenciada de formar um bom networking.

Neusa Hirota ministrará a palestra “Networking e Inteligência Social: Crescendo Através dos Relacionamentos”, durante o 2º ConviRH - Congresso Virtual de Recursos Humanos, promovido pelo RH.com.br - que acontecerá no período de 15 a 30 de maio próximo. Esse é um tema que merece a atenção de qualquer profissional que deseja sobreviver à competitividade acirrada do mercado globalizado. Boa leitura!

RH.COM.BR - O que podemos chamar de um networking eficaz para um universo corporativo onde a Globalização faz-se sempre presente?
Neusa Hirota - A Globalização trouxe mudanças incríveis para o cenário corporativo. O que ocorre do outro lado do mundo impacta não só as bolsas de valores, mas em vários setores econômicos no instante seguinte. A perspectiva de um determinado negócio ao acordarmos pode ser totalmente diferente daquela de quando formos dormir e vice-versa. Não há mais efeitos isolados no mundo dos negócios, o que torna os networkings um valioso patrimônio. As empresas que têm boas redes de informações - business intellligence - e capital social - no caso corporativo, pessoas competentes, conectadas e emocionalmente inteligentes - tem um grande diferencial competitivo.

RH - Para os profissionais, qual a importância de se manter uma boa rede de relacionamentos?
Neusa Hirota - Respeitadas as proporções em relação ao mundo corporativo, uma boa rede representa acesso a mais informações, a melhores decisões, a melhores oportunidades e maior competitividade profissional. Ascender na carreira, principalmente a funções executivas e estratégicas, não se sustenta na competência técnica do profissional. Agora, prevalece como esta pessoa constrói relacionamentos consistentes que contribuam para o enriquecimento de seus conhecimentos, informações, exposição e vivência. O valor das redes ao executivo foi tema de matéria da revista Exame em abril de 2006. As redes sociais já têm valor tão reconhecido que escolas como Harvard, Stanford e Wharton oferecem programas de doutorado dedicadas ao tema. Quando ministro palestras sobre o tema, procuro dar dicas e ensinar uma maneira sistemática para se criar, selecionar e alimentar uma boa rede de relacionamentos. Os resultados são mais produtivos se tomamos decisões baseados em objetivos claros.

RH - Há pessoas que acreditam que um bom networking é apenas manter uma listagem atualizada de contatos e alimentar uma via unilateral. O que a Sra. pensa sobre isso?
Neusa Hirota - Hoje em dia, com o aumento de contatos e informações que nos chegam por vários meios, colecionar endereços sem cultivar relacionamentos com seus donos é, na melhor das hipóteses, duplicar uma lista telefônica. Muitos acreditam que networking é encaminhar e-mails com piadas - copiando muita gente, distribuir e recolher cartões indiscriminadamente ou buscar velhos conhecidos num momento de necessidade. Perda de tempo para todos os envolvidos. A demanda de todo profissional aumentou devido à velocidade com que as informações passaram a fluir, principalmente depois da Internet. Ser seletivo é questão de sobrevivência. Toda semana recebo currículos de totais desconhecidos, que devem ter obtido meu endereço ou e-mail de alguma listagem ou mala direta. Alguns se dão ao trabalho de redigir uma pequena apresentação de seus objetivos. Outros, além de enviar a mensagem em cópia oculta - ou seja, para vários destinatários ao mesmo tempo, sequer fazem uma apresentação simpática. Qual o valor disso? Zero.

RH - Então, para se manter um networking eficaz, o profissional também deve estar disposto a doar algo de si?
Neusa Hirota - O dia continua a ter 24 horas. Construir e manter uma boa rede tem quatro premissas: seletividade, respeito, interesse genuíno e reciprocidade. Um networking é como uma conta corrente em que uma iniciativa sua, seja contato, demonstração de interesse ou oferta de ajuda representam um depósito. Mas se for pedir um favor ou ajuda, fará dois saques. Atitudes como cancelar encontros de última hora, expor o contato a situações constrangedoras, usar ‘o santo nome da pessoa em vão’ representam mil saques. Claro, a maioria de nossos contatos será de conhecidos, os contatos superficiais com quem nós interagimos no trabalho, eventos, entre outros. Estes não são partes de sua rede, são a lista telefônica ou as páginas amarelas que você poderá consultar ocasionalmente. Mas não espere deles reciprocidade ou atenção se não houver um verdadeiro relacionamento estabelecido.

RH - A networking exige dinamismo?
Neusa Hirota - Sem dúvida. Dinamismo e iniciativa para manter e cultivar relações. Planta-se para colher e não o contrário.

RH - Qual a melhor forma de se iniciar uma boa rede de relacionamentos?
Neusa Hirota - Não há forma melhor ou pior, há a forma que melhor atende a cada um. Para alguns, pode ser por meio de familiares. Para outros, mantendo vivas as relações do colégio e universidade. Há quem desenvolva uma boa rede participando de grupos profissionais - muito comum na área de Recursos Humanos. É importante atentar que apenas ter contato, trocar cartões, não representa incluir alguém na rede de relacionamentos. Reforço as premissas da rede: seletividade, respeito, interesse genuíno e reciprocidade.

RH - Quais as ferramentas mais importantes para se manter um networking?
Neusa Hirota - Um bom networking tem de ter ser organizado. A tecnologia ajuda muito: há scanners para cartão de visitas, o outlook permite vários registros sobre o contato, os palms, blackberries e computadores de mão permitem acesso o tempo todo. Na Internet, há vários sites que permitem organização de contatos, comunicação instantânea -messengers, exposição pessoal - blogs e comunidades, bem como redes profissionais virtuais, caso do Linked In, o mais conhecido deles. Mas, o principal continua a ser o contato ou toque pessoal - e equipamento ou site algum podem substituir isso.

RH - Quais as dificuldades mais comuns que as pessoas encontram para manter uma rede de relacionamentos eficaz?
Neusa Hirota - Em geral, tempo e interesse genuíno. Tempo porque as prioridades são muitas, o dia continua a ter 24 horas e, às vezes, é difícil conciliar agendas. Interesse genuíno porque sem freqüência, os contatos tornam-se superficiais e fica difícil conquistar familiaridade com alguém. É totalmente diferente perguntar a alguém “Como está fulano?” - chamando a pessoa pelo nome - e “Como está sua mulher, marido ou filho?”. Daí minha ênfase na seletividade. Não se pode agradar e nem contatar a todos ao mesmo tempo, sob o risco de não se fazer outra coisa. Um e-mail enviado vai gerar respostas, que irão requerer retorno seu. Imagine, tentar alimentar uma rede de relacionamentos com 100, 500 pessoas com interesse genuíno e reciprocidade?

RH - Que futuro você imagina para quem não valoriza uma rede de relacionamentos?
Neusa Hirota - Sem dúvida, menos oportunidades e informações, mas o que vale é a medida de interações que cada um necessita para se sentir feliz. Nesses anos de prática consciente de networking, tenho recebido tantas oportunidades e conhecido tantas pessoas extraordinárias, que abandonar a prática seria como retirar significado de minha vida. Mas como todo exercício ou ginástica, seu valor fica mais claro depois que se começa a prática. E sempre haverá quem viva achando que está bem sem ela.

Serviço:
2º ConviRH - Congresso Virtual de Recursos Humanos
De 15 a 30 de Maio de 2008
Clique aqui para mais informações: www.convirh.com.br


Publicado em 14/04/2008 no www.RH.com.br.


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sábado, 12 de abril de 2008

Conectando pessoas

[ Motivação ]
Conectando pessoas

Tom Coelho
Tom Coelho, com graduação em Publicidade pela ESPM/SP e Economia pela FEA/USP, tem especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP.

No decorrer dos últimos meses seguramente você vivenciou ou leu sobre o chamado “apagão aéreo”. Vôos cancelados, atrasos de várias horas, passageiros dormindo no chão dos saguões de aeroportos. Sem falar nos acidentes e na falência de mais uma companhia, a BRA.

Tecnicamente, estes problemas decorrem de uma conjunção de fatores. Da falta de planejamento dos órgãos públicos responsáveis pela regulação da atividade, ao duopólio comandado pela TAM e a GOL, passando pelo aumento da demanda. Mas o que mais chamou a atenção neste período foi a negligência no atendimento aos consumidores.

É curioso notar como as empresas investem maciçamente em programas de capacitação e desenvolvimento de seus profissionais, baseadas no preceito de que em tempos de globalização e concorrência acirrada o cliente torna-se rei. Organizam seminários, treinamentos e palestras motivacionais a fim de promover uma cultura de excelência no atendimento ao cliente. Mas, na prática, o que se observa é o oposto.

Tomemos novamente a crise aérea. É evidente que as mudanças necessárias são de caráter estrutural. Envolvem contratação e formação de novos controladores de vôo; construção e ampliação de aeroportos; abertura do mercado a novas companhias, estimulando a concorrência. Porém, pergunto-me a cada novo embarque: Por que as poltronas de espera não são mais confortáveis? Quando haverá tomadas elétricas em quantidade suficiente para atender aos usuários de computadores portáteis? Por que não colocam músicos e animadores para entreter as pessoas, em especial as crianças, a fim de mitigar os efeitos dos atrasos? E, fundamentalmente, qual o motivo de tanta dificuldade para prestar esclarecimentos e fornecer um bem precioso e que nada custa: informação honesta e transparente aos usuários?

O problema das companhias aéreas é o mesmo da maioria das empresas em todos os setores. Não sabem identificar seus próprios propósitos. A pergunta fundamental e primeira que deveria ser feita por qualquer corporação é: “Qual é o meu negócio?”.

Se resolvessem responder a esta questão, TAM, GOL, Oceanair e todas as demais compreenderiam que não vendem passagens aéreas, transporte ou segurança. Elas vendem economia de tempo. Usamos aviões apenas para chegar com mais rapidez ao nosso destino. Por isso declinamos de carros, ônibus ou trens. Aliás, quando disponibilizarem um trem expresso entre São Paulo e Rio de Janeiro, certamente a demanda por vôos na Ponte-Aérea sofrerá grande retração – com conseqüente queda nos preços. E quando em alguns séculos (ou décadas) o tele-transporte for viabilizado, todos os sistemas convencionais de transporte perderão sua razão de existência.

A baixa qualidade no atendimento ao público, ao que eu chamo de “desatendimento”, é o maior câncer do mundo corporativo nos dias atuais. E isso acontece porque as pessoas trabalham sem paixão e de forma desagregada em suas organizações.

Falta paixão, porque estamos sempre projetando nossas expectativas e ideal de felicidade no futuro. É um estado de “impermanência” latente que nos impede de aproveitar o momento presente e viver com plenitude. Você diz: “Quando eu tiver um carro, quando eu morar em uma casa maior, quando eu for promovido, serei finalmente feliz”. Então você compra um automóvel, muda de residência e sobe na hierarquia. E, meses depois, sente-se novamente insatisfeito e descontente.

Falta sinergia no ambiente de trabalho, porque acreditamos que nossa atividade independe dos demais. Enxergamos a empresa através de departamentos. O objetivo maior consiste em “cada um que faça a sua parte”. Assim, esquecemos que uma empresa é um organismo vivo e interdependente. Precisamos cultivar a empatia.

Assisti a um filme instigante intitulado “O Empacotador”, distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar. É abordada a história real de um jovem portador de Síndrome de Down, que trabalhando como empacotador em um supermercado altera a rotina de todos no estabelecimento ao adotar um padrão superior de atendimento aos clientes.

No filme, o jovem toma consciência de que suas ações podem influenciar favoravelmente o dia das pessoas que visitam sua loja. Ele passa a entregar a cada cliente uma frase motivadora impressa em papel, sensibilizando a todos e incentivando uma reação em cadeia de pequenas ações praticadas pelos demais colegas.

A essência do bom atendimento está lastreada na simplicidade. Trata-se de olhar nos olhos, sorrir, estender a mão, perguntar e ouvir. Trata-se de substituir a indiferença por fazer a diferença, mas a diferença positiva, porque há grande distinção entre mudar e mudar para melhor. Trata-se de conduzir as pessoas a uma experiência memorável, fazendo-as sentirem-se únicas e especiais. Chamá-las pelo nome, cuidar, convidá-las a voltar, liderar pelo exemplo.

Trata-se de conectar pessoas, não interesses. Telefonar para um amigo no dia de seu aniversário, mas também em dias fortuitos. Levar flores para a namorada despretensiosamente. Conquistar e reconquistar, dia a dia, imprimindo uma assinatura pessoal em cada gesto, em cada ação, em cada oportunidade que a vida permitir.


Publicado em 18/02/2008 no www.RH.com.br.


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Recrutamento on-line: uma realidade

[ Rerutamento e Seleção ]
Recrutamento on-line: uma realidade cada vez mais presente nas empresas

Leandro Correa Martins
Formado em Administração de Empresas, Uni Sant'Anna - São Paulo/SP.

Patrocinado por AncoraRh Informática (www.ancorarh.com.br)

Escrevi há algum tempo um artigo intitulado "Mudar é essencial para sua carreira" e das muitas mensagens que recebi - através do site RH.com.br onde foi publicado - uma tinha a seguinte pergunta: "Como você avalia o recrutamento pela Internet?".

A área de Recursos Humanos requer cada vez mais sistemas de gestão eficazes para gerir suas demais áreas: Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento, Planejamento de Carreira, Cargos e Salários, Administração de Pessoal etc... Meu foco será em Recrutamento e Seleção. A gestão eficaz da área de Recrutamento e Seleção depende também de um sistema de recrutamento on-line eficiente. Existem inúmeras ferramentas no mercado para suprir essa necessidade, mas muitas empresas ainda não utilizam essa solução. Acredito que as empresas que não se preocuparem com a gestão de sua área de Recrutamento e Seleção, terão sérios problemas na organização de seus processos num futuro bem próximo.

Atualmente, o recrutamento on-line é a forma mais inteligente de se recrutar candidatos. Existe uma série de funcionalidades que organizam cada processo seletivo de modo que cada candidato em cada vaga, mantenha seus status atualizado, tal como: avaliações do recrutador - entrevistas e dinâmicas -, testes on-line etc. Isso facilita o trabalho dos recrutadores, consultores, assistentes e das áreas coligadas como: Administração de Pessoal, Cargos e Salários, Treinamento e Desenvolvimento, Planejamento de Carreira, já que todas as informações podem ser compartilhadas.

Como exemplo, vejamos alguns diferenciais da solução de e-Recruitment para as empresas, citados por alguns sites que oferecem esse serviço:

- acesso à base exclusiva de candidatos;
- gestão da entrega dos e-mails enviados aos candidatos;
- entrevistas e dinâmicas de grupo on-line;
- candidatura on-line e envio de currículo;
- sistema avançado de busca de vagas e agentes de busca ativos;
- portal na Intranet para recrutamento interno;
- promoção da sua empresa e acesso em qualquer lugar do mundo;
- publicação de vagas no seu website, na sua Intranet e em outros sites de emprego.

As empresas podem manter um contato mais personalizado com os candidatos, enviando mensagens de atualização, agradecimento, informando sobre os processos seletivos etc, podendo atingir um grande público individualmente, melhorando a sintonia com todos os profissionais. Por outro lado, beneficia também os candidatos às futuras vagas, pois eles podem manter seus dados atualizados - entrando com login e senha na área destinada a eles, no site - facilitando futuros contatos; podem contar ainda com eficientes agentes de busca de vagas, recebendo por e-mail as vagas que tem relação com seu perfil/objetivo profissional.

Segundo Lidercio Januzzi, que também publicou um artigo sobre esse assunto no RH.com.br (http://www.rh.com.br/ler.php?cod=3739&org=3), as empresas utilizarão cada vez mais o recrutamento pela Internet e isso vai forçar os recrutadores a obterem competências específicas. Além disso, os gastos com consultorias de recrutamento e seleção irá diminuir consideravelmente.

Como podemos observar, o recrutamento on-line (e-Recruitment) é uma tendência irreversível. Portanto, os recrutadores que não possuem bons conhecimentos em Internet e pesquisa, precisam se aperfeiçoar rapidamente. Em contrapartida, as empresas que ainda não têm uma área de recrutamento on-line devem acelerar seu planejamento nesse sentido, pois aquelas que já possuem, aumentaram substancialmente a eficiência de sua área de recrutamento e seleção, obtendo números bastante positivos nos processos seletivos onde sem dúvida alguma o custo/benefício é seu maior diferencial.

É importante ressaltar que empresas e profissionais devem saber utilizar a Internet com inteligência, responsabilidade e segurança. Afinal, os candidatos só irão cadastrar suas informações em sites de empresas que comprovem a confidencialidade de seus processos, e acima de tudo, a privacidade das informações cadastradas e isso pode ser conquistado com um bom sistema de recrutamento on-line.


Publicado em 23/05/2005 no www.RH.com.br.


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