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domingo, 22 de janeiro de 2006

Networking: o segredo dos relacionamentos

Networking: o segredo dos relacionamentos
Patrícia Bispo

Se antes a preocupação em estreitar relacionamentos era restrita ao campo pessoal, com a presença do mundo globalizado, hoje os profissionais deparam-se com uma nova realidade: é preciso manter uma ótima rede de relacionamentos para ser competitivo no mercado de trabalho. Mas, para assegurar uma boa networking é preciso que a pessoa esteja disposta a investir. E dentro desse investimento, surgem dois fatores importantes - o marketing pessoal e o tempo. Os dois têm seus pesos e suas medidas de dedicação e cabe a cada indivíduo saber administrá-los. E já que esse tema tornou-se tão presente no dia-a-dia do mundo corporativo, o RH.com.br entrevistou a consultora Carla Coelho. Formada em gestão de RH e especialista em networking ela explica porque manter bons relacionamentos é tão importante para o profissional da atualidade. Se você já investe ou pretende criar uma boa networking, certamente vai gostar dessa entrevista. Confira!
RH.COM.BR - Por que manter uma boa rede de relacionamentos tornou-se tão importante nos últimos anos?
Carla Coelho - Na verdade manter uma boa rede de relacionamentos sempre foi muito importante, o que difere hoje é a dinâmica. Com um mercado altamente competitivo, precisamos destacar nossas competências e por meio das redes de relacionamentos é que nos mostramos ao mercado aquilo que conhecemos onde e como podemos atuar. Formar uma rede permite que as informações sejam trocadas de forma mais ampla, mostra onde estão as melhores oportunidades e onde se deve atuar socialmente. Precisamos estar atrelados aos nossos pares, aos pares de nossos pares e assim sucessivamente. Com isso, difundiremos idéias, multiplicaremos projetos ligados a várias vertentes como a educação, a cultura, as oportunidades no mercado de trabalho, mas acima de tudo provocaremos ações concretas. Por este motivo posso afirmar que as relações interpessoais, que se traduzem em networking, se tornaram um desses diferenciais para os aspectos profissionais.

RH - A networking garante o sucesso do profissional?
Carla Coelho - Não, e eu questionaria qualquer receita mágica de sucesso. O networking é apenas mais uma ferramenta, que só será eficaz se vincularmos seu conceito de cultivar e promover boas relações, baseado em conduta ética e valor de troca, às competências, às habilidades e às atitudes de um profissional.

RH - Como se deve iniciar uma rede de relacionamentos?
Carla Coelho - Entendo que o início deve acontecer dentro de nós. É preciso que se conheça, que se saiba onde se quer chegar e quais os objetivos e metas a serem alcançados. A partir disso precisamos tornar públicos esses objetivos e, acima de tudo, nossas competências, que estarão evidenciadas através das ações que praticarmos, e isso tem a ver com atitude. Precisamos nos preparar para esta exposição e nos tornarmos solícitos antes de qualquer coisa. Temos que pensar em grupo, no que podemos oferecer ao outro, porque a confiabilidade é imprescindível para que as redes sejam fortes e sustentáveis. Somente desta forma aproximaremos as pessoas que compactuarão dos mesmos interesses que os nossos. Somente desta forma teremos os nossos parceiros de objetivos.

RH - Dado o passo inicial, qual a melhor forma de manter a networking "atualizado"?
Carla Coelho - Há duas formas primordiais e que interagem entre si: a visibilidade e a interatividade. Visibilidade porque é preciso mostrar-se, aparecer, e interatividade porque é necessária a realização da troca. Para manter atualizada a sua rede é preciso que você procure conhecer as pessoas que fazem parte da sua rede, saber das suas preferências, fazer uma ligação quando tiver uma informação interessante, surpreender com a lembrança das datas importantes, dentre outras coisas possíveis desde que realizadas sem interesse unilateral. Manter sua networking viva é você saber o que está acontecendo com os seus pares e eles saberem o que acontece com você e isso requer dedicação, deixar uma parte do tempo disponível para isso. Porque networking é lembrar e ser lembrado.

RH - Quais as ferramentas que podem ser usadas para aumentar a rede de relacionamentos?
Carla Coelho - Existem várias, e é isso que torna a networking ampla. Hoje temos tipos de softwares específicos que auxiliam na manutenção dos dados de seus contatos; o uso do cartão pessoal que é importantíssimo; criar oportunidades de contato, como estar em palestras, cursos, programas culturais e sociais, entre outros. Entretanto, uma das ferramentas que mais tem gerado excelentes resultados é a participação nos sites de relacionamentos, que abrangem não só a área social, mas também a profissional, além de facilitarem a troca de conhecimentos e de ampliarem os contatos. Com a prática de adicionar pessoas à sua rede, você tem a possibilidade de ficar visível com o preenchimento do seu perfil.

RH - A networking deve contar com uma conduta ética?
Carla Coelho - Sempre. A ética é primordial em tudo, assim como também na networking. Networking não é conhecer pessoas para usufruir do que elas podem oferecer e ponto final. Deve ser baseada na lei do ganha-ganha. Precisamos sempre nos lembrar de que uma moeda tem dois lados. É importante que resgatemos a conduta ética, o respeito pelo o outro. Esses valores precisam ser claros, são eles que vão nos tornar visíveis, que farão com que os contatos que adquirimos ao longo de nossa trajetória permaneçam. Nossas ações devem ser o reflexo de nossas palavras e vice-versa. Não dá para falarmos de relação com o outro sem ética, sem transparência. Uma boa rede deve ser sempre pautada nos atos de valorizar e respeitar as pessoas, no desejo sincero de ajudar.

RH - Quais as principais dificuldades que as pessoas enfrentam diante da networking?
Carla Coelho - A primeira delas é a falta de objetivos e de metas definidas. É necessário conhecermos o nosso potencial e administrá-lo, é isso que vai resultar em sabermos qual caminho seguir. Depois temos o fator tempo, usado constantemente como desculpa, pela falta de ajustes que precisamos fazer em nossas vidas. Além disso, temos a timidez e o orgulho, que nos impedem de conhecermos novas pessoas e de buscarmos auxílio das que já nos relacionamos, o que provoca, na maioria das vezes, que deixemos as oportunidades escaparem.

RH - Que tipo de investimento deve ser feito para se obter uma boa rede de relacionamentos?
Carla Coelho - Dois dos mais importantes envolvem tempo e marketing pessoal. Ajuste sua agenda e invista um tempo para manter os contatos. Uma boa rede de relacionamentos é feita de reciprocidade, mas se lembre: não invista seu tempo esperando que as pessoas façam o mesmo, haja de forma natural e em algum momento o retorno acontecerá. Quanto ao marketing pessoal, sabemos que o produto mais valioso que temos é o produto "EU", é nele que você deve apostar. Atualize-se, ande sempre com seu cartão pessoal, faça-se presente.

RH - Que retorno a networking traz aos profissionais?
Carla Coelho - Vários, além de você poder contar com o enriquecimento pessoal, baseado nas trocas, poderá fazer negócios, encontrar parceiros, conseguir divulgação, além de novas oportunidades. Já existem estudos que comprovam que uma boa parte das melhores vagas no mercado profissional é preenchida através da networking. Mas volto a dizer, não faça nada esperando o retorno, e muito menos que seja imediato. Para ter uma boa rede de contatos você precisa girar a "roda do relacionamento", contribua para que seus contatos tenham bons contatos, porque certamente serão seus no futuro, e será dessa forma que você conquistará o retorno.

RH - De que forma a Sra. vê o futuro dos profissionais que não investem na networking?
Carla Coelho - Estes irão se tornar, no mínimo, menos competitivos e terão menos chances de recolocação no futuro. Como sabemos, hoje, no mundo globalizado e socializado em que vivemos, as próprias corporações já se interessam mais por profissionais que trabalhem e administrem bem suas redes de relacionamentos. Os mais preocupados com a sua networking tendem a serem também mais preocupados com ações sociais, que fazem grande diferença na atualidade. Então, se você ainda não constituiu a sua, nunca é tarde para fazê-lo, mas comece já. Se permita conhecer pessoas e junto com elas crescer.

Patrícia Bispo
Jornalista responsável pelo conteúdo da comunidade virtual RH.com.br.
Fonte: www.rh.com.br

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Relação entre empresas e colaboradores

Paulo Cesar Martin Guimarães

Em nossa trajetória profissional, como consultores e facilitadores na gestão e desenvolvimento das pessoas nas organizações, temos percebido, já há algum tempo, uma mudança significativa na relação empresa-colaborador. Portanto, é de fundamental importância para quem está buscando uma colocação profissional e, no caso das empresas, um novo colaborador, estarem atentos aos sinais desta mudança no plano das relações do trabalho.
A necessidade de trabalho, ou seja, de busca por um local onde possamos exercer nossas competências profissionais, deve merecer uma atenção especial das pessoas e das empresas. Podemos fazer uma certa analogia entre a relação empregatícia e o "casamento". Muitas vezes, para uma relação ter chances de êxito, necessita passar por algumas fases: do namoro, do noivado e, se houver identidade entre as partes, passa-se para a fase do casamento. Também nas relações de trabalho, para haver uma convivência duradoura, harmônica e realizadora, as partes têm que procurar se conhecer o suficiente para tomar a grande decisão: viverem juntas, numa mesma direção, por prazo indeterminado.

Assim, o conhecimento mútuo dos principais aspectos que influenciam o jeito de ser e agir do candidato ao emprego e da empresa, tais como a filosofia, crenças, valores, visões, interesses, competências, posturas, perspectivas, tendências, poderão ser de grande valia para facilitar a decisão de contratação e propiciar um relacionamento maduro, alinhado e comprometido. A não valorização deste estágio de conhecimento preliminar, no momento adequado, certamente refletirá negativamente no dia-a-dia da vida profissional. Não é necessário se conhecer tudo antes, mas para se construir uma relação transparente, com chances de vir a ser duradoura, é necessário que cada lado se mostre naquilo que lhe é mais importante, naquilo que realmente faz diferença.

O processo de recrutamento e seleção deve propiciar oportunidades para que as partes se conheçam melhor. Nesse sentido, o candidato ao emprego deve buscar o máximo de informações sobre o futuro empregador e, ao mesmo tempo, ser sincero ao falar de suas pretensões, expectativas, habilidades e atitudes. De outro lado, cabe à empresa apresentar-se ao candidato com muita abertura e transparência. Deve deixar claras suas políticas de Recursos Humanos como salário, benefícios e outras formas de recompensa. Além disso, precisa explicitar o que realmente espera do novo empregado, que atitudes valoriza, que competências exige, que desafios irá proporcionar. É comum as pessoas desempregadas aceitarem uma nova colocação sem se sentirem identificadas com o trabalho ou a empresa. Querem apenas fugir do desemprego. Nestas circunstâncias, o trabalho geralmente não traz satisfação e logo poderá frustrar as partes, por ser desgastante para ambas.

Por isso, sugerimos um momento de reflexão, tanto para as pessoas quanto para as empresas, de forma a perceberem o processo de contratação de uma pessoa para o trabalho como algo relevante, merecendo os cuidados necessários próprios de um início de relacionamento. Nós que lidamos com gestão e desenvolvimento de pessoas no âmbito empresarial sabemos o quanto uma relação mal planejada é iniciada sem os devidos cuidados pode afetar o ambiente de trabalho, causando insatisfações, pouco compromisso e curto tempo de tolerância e fixação. O começo do entendimento, para uma saudável convivência profissional (fase de captação, seleção, processo introdutório e de integração), deve ser percebido como de estruturação. Aí é que se constrói o alicerce sólido para a visão de futuro e a elaboração de planos empresariais bem consolidados e voltados para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas na empresa.

Finalmente, temos a consciência das dificuldades causadas pelo desemprego e pela real necessidade das pessoas de sobreviverem através do trabalho, de forma a manter uma vida digna. Há uma música interpretada pelo Fagner que diz: "um homem sem trabalho... não dá pra ser feliz... castra os seus sonhos...". É uma triste realidade. Porém, precisamos ir além nas nossas percepções e vontades, procurando enxergar o trabalho como algo prazeroso e realizador. A parte financeira, a retribuição pela atividade laboral, é muito importante e indispensável, mas não é o bastante. Se, na busca do trabalho, as pessoas colocarem o aspecto material em primeiro lugar, certamente esse "casamento" poderá ter bases muito frágeis para sua sobrevivência, e muito menos para a conquista da felicidade e realização.


Paulo Cesar Martin Guimarães
Psicólogo e especialista em Gestão de Pessoas.
Fonte: www.rh.com.br

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Artigo: A importância do Feedback

A PRÁTICA DE DAR RETORNO A QUEM BUSCA UM EMPREGO
PODE AJUDAR A MUDAR RUMOS, RENOVAR ESPERANÇAS E CONTRIBUIR PARA MELHORAR A AUTO-ESTIMA DO PRÓPRIO PAÍS.

por Washington Sorio *

Segundo um estudo americano, ficar sem emprego é a terceira maior dor que um ser humano pode sofrer. A maior é perder um filho. A segunda é perder os pais.
Há uma imediata e inevitável sensação de fracasso. Pessoas sem emprego sentem-se sozinhas, constrangidas e inferiores. A vida parece mais insípida, mais tênue.

A maioria das pessoas são definidas em termos de seus empregos e acabam recebendo um sobrenome corporativo. Quantos de nós não conhecemos o Fulano da Xerox, o Beltrano da Shell, o Sicrano do Bradesco, etc.
A verdade é que o emprego ajuda as pessoas a ter uma referência e dizer a si mesmas e aos outros quem elas são.

A falta de emprego gera uma perda de identidade e diversas outras implicações, como a baixa auto-estima, ansiedade, sensação de abandono e incompetência. Ele ocasiona fases de instabilidade emocional e desesperança, intolerância nas relações familiares e sociais que são prejudicadas pela mudança no status social e aumentam as preocupações com a vida financeira e os apelos de consumo.

Ao ficar desempregado o indivíduo que ocupava um cargo de importância vai se surpreender ao ver que a maioria do “profissionais de RH” não dão feedback.

O feedback é uma forma de demonstrar consideração e respeito pelo ser humano. Ele minimiza incertezas e ansiedades. O feedback é parte fundamental do processo que visa orientar as pessoas a apresentarem comportamento e desempenho adequados a uma determinada situação.

Todo feedback que recebemos em relação àquilo que realizamos é de essencial importância para nosso aprendizado e crescimento. Através de um feedback podemos modificar nossa maneira de encarar e lidar com determinados assuntos e idéias, e trabalharmos com mais empenho se necessário, em busca de melhores resultados.

Pessoas bem-sucedidas sabem valorizar as críticas que recebem e aprendem a utilizá-las em proveito próprio. Somos sabedores de que essa situação descrita acima torna-se ainda mais traumatizante diante da falta de perspectivas gerada pelo atual cenário de recessão e desemprego. Mas é importante saber que não existe crise que resista a alguns bons momentos de reflexão. Por mais que possa existir crise, a vida lá fora continua, independente dos índices divulgados. Toda crise, seja nova ou antiga, se torna maior quando faltam perspectivas.

O feedback ajuda os profissionais em busca de oportunidades e recolocação exatamente a renovar suas perspectivas a partir de mudanças de rumo identificadas com as críticas e avaliações.

Resumindo, Recursos Humanos têm um papel fundamental na própria auto-estima do País, ao ajudar a imensa população de desempregados a se auto-analisarem e renovarem seus conceitos e esperanças.

Entrevista de Seleção

Poucas pessoas conseguem um emprego sem pelo menos realizar uma entrevista de seleção ou, na maioria das vezes, uma série de entrevistas. De todos os instrumentos utilizados a entrevista de seleção é considerada a mais importante, mas a melhor pessoa que você entrevista não é necessariamente a melhor pessoa para o emprego.

É importante conhecer os tipos de entrevistas de seleção: estruturada, não-estruturada ou entrevista sob pressão.

A entrevista estruturada é exatamente um processo conduzido de acordo com uma ordem predeterminada. É cuidadosamente planejada para extrair o máximo de informações do candidato com um mínimo de perguntas do entrevistador. Em geral, a estrutura seguirá a ordem exemplificada a seguir:

- Cumprimento / bate-papo;
- Introdução;
- Experiência de trabalho;
- Formação escolar;
- Atividades e interesses;
- Descrição de pontos fortes e fracos;
- Descrição do cargo, perguntas do candidato;
- Encerramento.

O entrevistador ao conduzir a entrevista estruturada, fará o seguinte:

- Perguntas gerais, concentrando-se no passado;
- Encorajará o candidato a falar 70%-80% do tempo;
- Dará poucas informações sobre o cargo, até certificar-se das qualificações do candidato;
- Manterá contato visual;
- Ficará à vontade com silêncios e esperará o candidato falar;
- Não fará perguntas pessoais ou comprometedoras.

A entrevista não-estruturada é uma entrevista não-dirigida. É informal e dá maior abertura ao candidato. O entrevistador fará um esboço dos tópicos que serão abordados. Demonstrará interesse e empatia pelo candidato e iniciará a entrevista com perguntas gerais, não comprometedoras, tais como: Conte-me sobre seu último trabalho.

O entrevistador continuará sondando com perguntas do tipo: Como as mudanças gerenciais afetaram o seu departamento?

Finalmente fará perguntas mais específicas, para obter informações definidas:

- Quer dizer que você e o seu novo chefe tinham estilos muito diferentes e decidiram que uma mudança seria melhor?

A entrevista sob pressão (felizmente pouco empregada) pode ser uma experiência assustadora para o candidato inexperiente. O entrevistador deliberadamente cria uma atmosfera carregada, ameaçadora. Contradiz ou discute com o candidato, muda o rumo repentinamente e usa outras técnicas para deixar o candidato tenso. Ele fará uma ou mais perguntas hipotéticas, como por exemplo: O que você faria se .....?

Perguntas hipotéticas são feitas para avaliar a reação do candidato ao inesperado e sua capacidade para desenvolver rapidamente um plano de ação.

Mesmo que a intenção não seja causar tensão, conheça algumas perguntas básicas para os candidatos:

- Conte alguma coisa sobre você.
- O que você pode fazer por nossa empresa que outro candidato não pode?
- Quais são seus pontos fortes?
- Quais são seus pontos fracos?
- Quanto você foi bem sucedido até aqui?
- Quais são suas limitações?
- Quanto você vale?
- Quais são suas ambições para o futuro?
- O que você sabe sobre nossa empresa?
- Por que você está procurando um cargo em nossa empresa?
- Que qualificações você tem que o fariam ser bem sucedido aqui?
- O que é mais importante para você no trabalho?
- Como você descreveria sua personalidade?
- Quanto tempo levaria para você fazer uma contribuição significativa à nossa empresa?
- Quanto tempo você pretende ficar conosco?
- Qual é o seu estilo gerencial?
- Qual o método que você utiliza para delegar tarefas?
- Quais os principais projetos que você realizou e que resultados eles trouxeram para a empresa?
- Descreva uma situação na qual você teve um problema difícil e como o resolveu.
- Você já precisou demitir alguém? Como você abordou a situação?
- Qual a tarefa mais difícil como gerente ou coordenador?
- Descreva algumas tarefas em que você já trabalhou sob pressão.
- Descreva alguma situação de trabalho que o tenha irritado.
- Fale de algum objetivo que você não conseguiu atingir em seu último emprego.
- Você poderia descrever alguma situação em que seu trabalho foi criticado?
- O que você aprendeu nos seus erros?
- Que tendências importantes você antecipa na nossa área?
- Por que você está deixando a empresa atual?
- Descreva o seu ambiente ideal de trabalho.
- Olhando para trás, como você vê sua ex-empresa?
- Como você acha que seus subordinados o vêem?
- O que você acha do seu ex-chefe?
- Com que tipo de pessoas você tem dificuldade para trabalhar?
- Em seu último trabalho, quais foram às realizações mais importantes?
- Se eu falasse com seu ex-chefe, o que ele diria sobre seus principais pontos positivos e negativos?
- Quanto você acha que deveria receber para esse cargo?
- Se você pudesse começar tudo de novo o que você faria diferente em sua carreira?
- Qual o maior ensinamento que você recebeu de seus pais e como você o coloca em prática?
- Do que as pessoas em casa e no trabalho mais reclamam de você?
- Que tipo de leitura você aprecia?
- O que mais o motiva?
- Dê dois exemplo de sua criatividade.
- Quais são suas metas a longo prazo?
- Quais as suas atividades de lazer?

Hoje, o mercado está exigindo, cada vez mais competências interpessoais, tais como: liderança, iniciativa e facilidade de relacionamento com os pares.

As organizações precisam de pessoas que, além de conhecimento técnico, tenham como competências essenciais a curiosidade pelo aprendizado, a flexibilidade, a capacidade de adaptação às mudanças, a facilidade no trato interpessoal e o sentido de urgência que o mundo atual nos imprime.

O sucesso e a saúde da organização dependem das pessoas que são selecionadas para nela trabalharem e é importante ressaltar que não existe candidato bom ou candidato ruim. O que existe é o candidato com perfil mais adequado ao cargo e a cultura da organização.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Voar alto!

Você nasceu para voar alto!
Gilclér Regina

Uma lenda do deserto conta a história de um homem que ia mudar de oásis e começou a carregar seu camelo. Colocou tapetes, utensílios de cozinha, os baús de roupas - e o camelo agüentava tudo, afinal, estes animais podem suportar até 300 kg. Quando ia saindo, lembrou-se de uma linda pena azul que seu pai havia lhe presenteado. Resolveu pegá-la e a colocou em cima do camelo. Neste momento, o animal arriou com o peso e morreu. O homem pensou: "Meu camelo não agüentou o peso de uma pena".
Transportando essa pequena fábula para os dias de hoje verificamos que vivemos uma época excessivamente racionalista, isto é, sabemos muito e sentimos pouco.

Não compreendemos as reações de algumas pessoas. Fazemos um pequeno comentário ou até uma brincadeira e alguém já chora ou se zanga. É preciso entender que nossa palavra pode ter sido a pena do camelo. Uma palavra vale mais do que todas as armas do mundo. Essa teoria foi provada na prática por Hitler, Kennedy, Churchill, Ghandi entre tantos outros grandes líderes da humanidade, bons ou maus.

A palavra causa a bênção ou a destruição. Vivemos num mundo de escolhas.
Quanto à fé, entendo ser uma inteligência, um químico-chefe da mente e quando combinada com o pensamento, transforma-se numa força infinita. Você poderá convencer a mente de que acredita que receberá aquilo que pede. Ela agirá de acordo com essa crença e a devolverá sob a forma de "fé", seguida de planos para realizar o que deseja.

A fé é o ponto de partida de toda a prosperidade e a base de todos os "milagres" e de todos os mistérios que as regras da ciência não conseguem explicar. É o único antídoto conhecido contra o fracasso. A força da fé é real, seja ela verdadeira ou falsa. Se repetirmos uma mentira mil vezes, acabaremos por aceitá-la como verdade. Já viu um desses delinqüentes que dizem que: não foi ele que praticou o crime? Até o bandido acredita na sua própria mentira. Goebels, que foi o grande propagandista de Hitler foi quem comprovou essa tese no marketing político que praticava. Pena que usaram de sua fé para propósitos tão desumanos!

Se a fé não existisse, uma boa parte das pessoas que tomam o placebo naturalmente pensando que estão tomando o medicamento verdadeiro não se curariam.

Fica o exemplo da fé, o poder da fé, como foi demonstrado na vida de Mahatma Ghandi que exerceu mais poder potencial do que qualquer homem de sua época, sem ter utilizado qualquer instrumento ortodoxo de poder como dinheiro, armas, soldados ou equipamentos de guerra.

Que outra força na terra com exceção da fé poderia realizar tanto? Não é esse o remédio que tantas empresas precisam? Não é esse o remédio que o nosso país precisa? De sair de um espírito de grupo, de panelinhas, para um espírito de fé, com as mentes voltas para um único objetivo e um grande ideal? De expurgar os gols contra que comprometem os resultados? Que crise pode resistir à fé?

A nossa mente é semelhante à transmissão em um carro. Temos as marchas para frente e a marcha à ré. Podemos escolher a direção que queremos tomar e ir para frente não exige mais esforço do que ir para trás. Em nossa vida somos nós que escolhemos o caminho.

Não permita que as pessoas venenosas, os críticos e os pessimistas de plantão dominem sua vida. Essas pessoas sempre dizem: "nada vai dar certo". Dizem que o concorrente está fazendo milagres e "que vai quebrar", mas não quebra nunca.

Tem gente que é tão negativa que acha que nasceu na família errada e que até o cachorro de estimação está sempre doente. Ora, como pode alguém assim fazer sucesso e praticar resultados? Deus não fez ninguém para ser "um pouco feliz". Deus fez a humanidade para voar alto e para a felicidade. Somos nós que construímos paredes ao invés de pontes.

Quem teme o amor, teme a vida e quem teme a vida é meio morto. Aprendemos tanto pelo amor quanto pela dor. É certo que muitas situações de grandes dificuldades são verdadeiras e procuro sempre buscar inspiração em casos reais onde pessoas comuns construíram a sua grande virada.

Eu acredito que Deus ajuda, mas quer que façamos a nossa parte. Eu costumo citar a história de um frentista de posto que era mal pago e motivo de riso de seus colegas que o chamavam de "trouxa", porque ele continuava atendendo de maneira exemplar e até melhor os clientes, mesmo com aquela "mixaria" que ganhava. No entanto, um desses clientes em certa ocasião o chamou para trabalhar na empresa dele e ele cresceu tanto, estudou, teve novas oportunidades e hoje é o presidente de um grande banco com salário de fazer inveja a muito artista.

Eu tenho certeza que muitos daqueles que o chamavam de "trouxa" hoje engrossam as fileiras dos desempregados. A pessoa que quer vencer sabe que a conta só fecha com 1% de inspiração, 99% de transpiração e 100% de atitude.

Entendo que alguém que quer construir a diferença em sua vida precisa se mexer. Quem chega primeiro bebe água limpa.

A pessoa que quer mais motivação em sua vida e em seu trabalho precisa enxergá-la com pensamentos melhores, olhos de fé e por conseqüência, construirá uma vida de resultados.

Não se pode mentir para si mesmo, mas tem muita gente que vai para frente do espelho "murcham a barriga" e depois saem dizendo que está "tudo bem". Quem quer motivação e resultados precisa ter a fé que dois grandes milagres acontecem todos os dias, o amanhecer e o pôr-do-sol e que Deus foi socialista, pois deu 24 horas para todos, ricos e pobres. A vida não é uma emergência, é uma maratona. A vida não é uma coincidência é uma conseqüência, isto é: os nossos resultados dependem da forma como pensamos e sonhamos. Os realistas estão a caminho, os sonhadores já estiveram lá. Deus não fez você para ficar grudado no chão. Deus te fez para voar alto.

Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!

Gilclér Regina
Autor de livros como Sua vida não é uma questão de sorte e A arte de saber viver da Editora Gente, realiza mais de 100 palestras por ano e já vendeu aproximadamente 3 milhões de livros e CD's motivacionais. Palestrante requisitado em Convenções e Congressos de todo o país.

Fonte: www.rh.com.br

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

O que é alcançar o sucesso?





por Patrícia Bispo

Por que algumas pessoas exercem cargos relevantes, mas mesmo assim não se sentem realizadas profissionalmente? A resposta pode estar relacionada ao desequilíbrio na vida pessoal. Segundo José Diney, consultor de empresas, especialista em gestão de pessoas e carreiras, e autor do livro "Bem-estar criativo para o sucesso" - Editora Saraiva, o sucesso sem conscientização e sem propósito de vida é ilusório e passageiro. Em sua obra, Diney trata da potencialização do desempenho pessoal e profissional, por meio da adoção de rotinas que assegurem que os leitores possam desenvolver seus talentos inatos e adquiridos. O livro é destinado ao segmento de business book (títulos escritos para profissionais que atuam em organizações ou que desempenham carreiras autônomas), e é baseado na experiência de Diney como executivo e consultor de empresas, além de utilizar métodos científicos em suas proposições. "Bem-estar criativo para o sucesso fala do sucesso na carreira profissional e bem-estar na vida pessoal, mostrando que essas duas podem, e devem, caminhar juntas", explica. Em entrevista concedida ao RH.com.br, ele explica ainda que variáveis indicam que o profissional alcançou o sucesso na carreira. Confira e boa leitura!

RH.com.br - Qual o seu objetivo ao escrever o livro "Bem-estar criativo para o sucesso"?
José Diney - Escrevi o livro como forma de sintetizar toda a experiência acumulada ao longo de 30 anos de vivência como executivo e consultor de empresas. Procurei reunir as mais recentes descobertas da ciência do comportamento e sugiro o uso de ferramentas práticas para a potencialização do desempenho pessoal e profissional, pois constatei que as pessoas quase sempre têm baixo desempenho e baixa produtividade em virtude de desequilíbrios físicos, mentais, emocionais e espirituais. Esse desequilíbrio resulta da forma equivocada como lidamos com o nosso potencial energético, o que acaba comprometendo nosso desempenho como um todo.

RH - Para qual público seu trabalho está voltado?
José Diney - O livro está direcionado a toda e qualquer pessoa que queira alcançar sucesso na carreira profissional, seja ela qual for, mas sem abrir mão da qualidade de vida pessoal. Aliás, eu uso o termo bem-estar criativo como meio para diferenciar o termo qualidade "de" vida, que é efêmero e superficial, do conceito de qualidade "da" vida, que é perene e conectado com a nossa essência humana. Portanto, busco demonstrar que o sucesso só faz sentido quando está alinhado com um propósito de vida.

RH - Qual o diferencial do "Bem-estar criativo para o sucesso" em relação aos outros títulos que se encontram no mercado?
José Diney - Meu livro oferece um roteiro seguro para aqueles que desejam refletir sobre o verdadeiro sentido do que seja alcançar o sucesso pleno na vida pessoal e profissional. Não se trata de um livro de auto-ajuda, pois todas as minhas proposições estão alicerçadas nas mais recentes descobertas da neurociência, neurobiologia, psicobiologia e filosofia da mente. Aplico todo esse conhecimento para que as pessoas despertem seu potencial realizador sem negligenciar a importância do bem-estar em suas vidas. É um livro para o gerenciamento da carreira e ao mesmo tempo um guia para uma vida saudável e plena de realizações. Uma espécie de manual de procedimentos para uma reflexão acerca da importância do uso inteligente das energias criativas e seu efeito prático na rotina do dia-a-dia.

RH - Em sua obra o Sr. dedica espaço às pessoas que desejam melhorar o desempenho pessoal e profissional. Que dicas práticas podem ser dadas a essas pessoas?
José Diney - Uma das ferramentas para a potencialização do desempenho é o uso inteligente de nossas melhores habilidades. É quando descobrimos como promover um up grade no cérebro e na mente por meio de técnicas que ajudam a potencializá-los. Técnicas respiratórias, exercícios de visualização mental, alimentação energética, prática do silêncio mental como meio para esvaziar a mente de pensamentos inúteis são ferramentas eficazes para essa potencialização. Além disso, procuro lembrar a importância do processo de autoconhecimento para a liberação das energias criativas. O resultado é o aumento do desempenho e a sensação de plenitude que gera bem-estar geral e propicia uma vida cheia de realizações. Não se trata de realizar milagres, mas de eleger ações transformadoras para o alcance de resultados.

RH - A realização profissional está relacionada diretamente à vida pessoal?
José Diney - Sem dúvida. Creio que é um grande erro quando alguém separa as duas coisas, pois isso produz insegurança e ansiedade, que são o mal do nosso tempo. Não há mais como pensar em realização profissional abrindo mão da vida pessoal. Trata-se de uma crença superada e burra. O ideal é o equilíbrio entre ambas. Como dizem os budistas, precisamos trilhar o caminho do meio, o caminho do equilíbrio que leva à plenitude do ser. Vida pessoal e realização profissional são farinha do mesmo saco.

RH - Investir em autoconhecimento é indispensável para o sucesso na carreira?
José Diney - Quando o Oráculo de Delfos, na antiga Grécia, pregava que os homens sábios deviam buscar conhecer a si mesmo para encontrar o verdadeiro sentido da vida, na prática queria dizer que não devemos tentar compreender as verdades do mundo, até porque o mundo não existe para ser compreendido. O que devemos buscar é a compreensão daquilo que somos, para que possamos lidar com a realidade do mundo. O autoconhecimento é o único caminho capaz de assegurar esse conhecimento, pois está alicerçado na verdade que vem do interior da nossa alma. O restante são as ilusões do mundo. O oráculo da vida moderna é a nossa própria consciência, por isso o autoconhecimento é tão importante.

RH - Existem técnicas que auxiliam o profissional a alcançar o sucesso?
José Diney - Se o sucesso é entendido apenas como o alcance de metas materiais, a receita do bolo é conhecimento técnico aliado à experiência acumulada, esforço individual aliado à tenacidade e à busca por resultados. Tudo isso é legítimo e necessário. Porém, se o sucesso é concebido como meio para exercermos um propósito de vida, aí precisamos ir além e procurar dar sentido àquilo que fazemos, para que o resultado final não seja confundido com uma Vitória de Pirro. Sucesso sem conscientização e sem propósito de vida é ilusório e passageiro. Sucesso alinhado a um propósito de vida é desfrutar o bem-estar que ajuda a vencer todos os obstáculos. Isso é o que chamo de bem-estar criativo.

RH - Que variáveis indicam que o profissional alcançou o sucesso?
José Diney - É quando a pessoa percebe que o seu esforço e a sua dedicação resultaram em bem-estar para si mesmo e para outras pessoas. É quando o trabalho significa uma missão a ser cumprida em nome do bem-estar de todos, dos semelhantes, da sociedade e do planeta. É quando os talentos e a criatividade estão a serviço do bem comum. Ou seja, é quando o profiossonal acende sua chama divina e brinca de ser deus pelo sentido que dá ao seu trabalho. É quando concretizamos nossos sonhos sem prejudicar o outro. É quando compreendemos que o nosso sucesso depende do sucesso de outras pessoas, e que ninguém chega ao topo sozinho.

RH - A boa remuneração sempre acompanha o sucesso profissional?
José Diney - Sim. Porque quando nos dedicamos com empenho em uma tarefa, colocando a alma e o coração naquilo que fazemos, o resultado sempre vem. Como vivemos no regime capitalista o prêmio por esse esforço é a remuneração financeira. Nesse sentido podemos afirmar que o dinheiro é uma conseqüência natural do sucesso.

Fonte: http://www.rh.com.br/ler.php?cod=4296&org=1

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Oportunidades: é preciso agarrá-las

Patrícia Bispo

Há quem acredite que, algumas vezes, para se atingir o sucesso profissional é preciso ter sorte na vida. Para o administrador de empresas e consultor organizacional, Yasushi Arita, isso é uma inverdade. Para se conquistar um cargo de destaque, por exemplo, o profissional precisa estar disposto a lutar pelo seu desenvolvimento e isso inclui trabalhar competências que hoje são consideradas indispensáveis para o mercado de trabalho, a exemplo das comportamentais. Apesar de muitas pessoas não gostarem de ouvir a palavra fracasso, essa deve ser vista não como o fim do mundo ou uma tragédia insuperável, mas sim considerada o início para uma nova conquista. Em entrevista ao RH.com.br, Arita dá algumas dicas para quem deseja obter sucesso na carreira. "Se alguém quer conquistar algum objetivo eu aconselho que não conte com a sorte", afirma o consultor. E se você está pensando em rever seus objetivos e metas profissionais, inclusive até mesmo você que deseja atuar ou já é da área de Recursos Humanos, aproveite a leitura!

RH.com.br - Alavancar a carreira é apenas uma questão de força de vontade da pessoa ou existem outros fatores que influenciam o sucesso profissional?
Yasushi Arita - A força de vontade impulsiona, mas sozinha não faz com que uma pessoa alcance seus objetivos. Ela deve ser somada a outros fatores essenciais para qualquer profissional. Na minha opinião, existem quatro importantes fatores que contribuem para um profissional alavancar sua carreira. O primeiro ponto é gostar do que faz. A atividade que realizamos deve ser prazerosa e estimulante. Pode até acontecer de um profissional desenvolver alguma atividade que não lhe agrade, mas se a intenção é se preparar, seja em conhecimentos ou financeiramente para aproveitar o momento oportuno, a satisfação e a vontade de fazer o melhor aumentam. Caso contrário deve criar coragem e aceitar outros desafios para desenvolver suas habilidades. Outro ponto é manter-se preparado e atualizado na área em que atua. Ter persistência para continuar em busca do alvo independentemente das circunstâncias e, principalmente, ter na mente e no papel um planejamento com metas e objetivos. Para quem não sabe aonde quer chegar a força de vontade não faz diferença alguma.

RH - Para se chegar ao sucesso também é preciso contar com um pouco de sorte?
Yasushi Arita - Se uma pessoa quer conquistar algum objetivo eu aconselho que não conte com a sorte. É mais garantido arregaçar as mangas e seguir em busca das suas conquistas. O que muitas vezes consideramos ser sorte é, na verdade, uma oportunidade bem aproveitada. O profissional que conquista um cargo de alto escalão numa empresa pode dizer que isso é um golpe de sorte ou resultado do investimento que fez em sua carreira? Agora digamos que um jovem profissional ganhou uma bolsa integral para fazer pós-graduação no Exterior, mas, apesar de diversas vezes ter iniciado um curso com esse objetivo não consegue pronunciar mais que um "good morning" e, por isso, não tem como corresponder às exigências da escola. Isso é falta de sorte? Não. Foi falta de preparo para aproveitar uma boa oportunidade. As oportunidades são identificadas por aqueles que estão preparados para enxergá-las.

RH - Atualmente, quais as principais competências que o mercado busca no profissional?
Yasushi Arita - Independentemente da área de atuação, a visão do especialista não é mais o único atributo desejável no mercado. O profissional do século XXI tem que ter mil e uma utilidades, ou seja, ter uma formação técnica é importante, mas deve ser somada a outros conhecimentos e atributos. O mercado precisa de profissionais que tenham talento, competência para várias habilidades, interesse constante em buscar treinamento, visão global, controle emocional e comunicação interpessoal. Pode parecer muita exigência para uma única pessoa, mas a verdade é que cada um de nós tem esses atributos, a questão é que muitos não se consideram capazes em associá-los. Um exemplo de personagem que sabe até hoje associar e obter bons resultados é Edson Arantes do Nascimento, conhecido mundialmente como Pelé, Rei do Futebol. Ele tem talento nato, assim como diversos outros jogadores, tem competência para desenvolver suas habilidades e jamais deixou de treinar, mesmo no auge de sua carreira. O fato de saber fazer bem alguma coisa não nos isenta de ter que treinar para melhorar sempre. O profissional que é capaz de associar suas habilidades certamente tem mais condições de responder às adversidades.

RH - Essas competências valem para qualquer profissão?
Yasushi Arita - Sim, essas competências valem para qualquer área de atuação, desde um limpador de vidros até o diretor de uma multinacional. O mercado precisa de profissionais que entendam as diversas ramificações do negócio que desenvolve. Isso acontece porque o modelo organizacional está cada vez mais enxuto e os recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados. Na minha equipe, por exemplo, todos os profissionais são estimulados a desenvolver diferentes funções com a mesma destreza, o que eles correspondem de forma bastante positiva.

RH - O desenvolvimento das competências técnicas e comportamentais é de inteira responsabilidade do profissional ou as empresas também devem assumir uma parcela de contribuição?
Yasushi Arita - O desenvolvimento das competências técnicas e comportamentais depende tanto do profissional como da empresa. O profissional deve buscar alternativas para o seu desenvolvimento e, por outro lado, a empresa deve oferecer condições para que o seu colaborador possa desenvolver-se. As duas partes devem ter consciência de que um bom profissional é sempre assediado pelo concorrente e uma boa empresa é sempre alvo de bons profissionais. A parceria ideal acontece quando os interesses das partes têm a mesma finalidade. Não veremos um bom resultado quando a empresa está interessada no desenvolvimento de seu funcionário e este não tem interesse em aproveitar o que lhe é oferecido e o contrário também é verdadeiro.

RH - Que conselhos o senhor daria para um profissional que busca obter sucesso, mas sente que sua carreira estagnou?
Yasushi Arita - Quando um profissional sente que sua carreira está estagnada o primeiro passo é reconhecer que a responsabilidade é totalmente dele. Procurar culpados e justificativas é perda de tempo. Para não chegar a esse ponto é preciso treinar, treinar e treinar, o que abrange sair em busca de cursos, palestras, bate-papo com outros profissionais, se inteirar com as necessidades do mercado e ler muito. Cada profissional deve assumir o compromisso consigo mesmo de se manter atualizado para aproveitar as oportunidades. Lembra-se que falamos que não existe sorte? Quando um profissional está seguro da sua competência para desenvolver um projeto ou ocupar determinada função ele elabora estratégias para alcançar seu alvo. A falta de objetivo é o principal fator que emperra uma carreira. O meu conselho? Mãos à obra. Trace suas metas e objetivos e se determine a alcançá-los.

RH - A ambição é fator primordial para quem busca o sucesso?
Yashusi Arita - Quando falamos em ambição, a grande maioria das pessoas remete seu pensamento a algo pejorativo, pecaminoso, atributo de alguém que não tem caráter. Mas, não é nada disso. O Aurélio define o termo como desejo veemente de alcançar bens materiais ou o que satisfaz o amor próprio e não há nada de errado num ser humano que tenha desejos. Aliás, ambição está intimamente ligada aos sonhos, às meta e aos objetivo. Embora não seja fator primordial, sem ambição ninguém chega a lugar algum. Para alcançar o sucesso preciso desejá-lo, ter ambição pela conquista.

RH - No caminho até o sucesso, como o profissional deve lidar com um possível fracasso?
Yasushi Arita - Embora muitos profissionais não gostem nem de pronunciar essa palavra, o fracasso faz parte do sucesso. É uma oportunidade de aprendizado, de rever onde é preciso melhorar, o que está faltando para alcançar os objetivos. Outro dia eu estava jogando uma partida de tênis e perdi feio. Aquilo me deixou intrigado e, ao invés de ficar buscando justificativas, decidi rever mentalmente todos os lances e descobrir onde eu precisava melhorar. Detectei diversos aspectos e comecei a treinar cada um deles. Certamente na próxima partida ficarei mais atento aos lances, vou me aperfeiçoando até chegar o momento em que não cometerei mais os mesmos erros. Na vida profissional é a mesma coisa. A análise que fiz da partida de tênis cabe em todas as áreas da nossa vida. Fracasso não é o fim é a oportunidade de um novo começo.

RH - O erro, na trajetória para o sucesso profissional, deve ser sempre visto como aprendizagem?
Yasushi Arita - Existe um ditado que diz "errar é humano" e eu concordo plenamente com isso. Se existe ser humano perfeito ainda não me apresentaram a ele. Ninguém é perfeito, embora muitas pessoas busquem a perfeição nos outros e nas circunstâncias. O medo de errar impede o crescimento. Assim como a questão do fracasso que falamos anteriormente, o erro é uma oportunidade de rever o que precisamos melhorar. Aqueles que assumem seus erros têm muito mais chances de acertos.

Patrícia Bispo
Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.